Exportações de café do Espírito Santo superam 5 milhões de sacas e conilon caminha para recorde histórico
Embarques cresceram 58% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, e geraram receita de US$ 1,2 bilhão; conilon responde pela maior parte das vendas externas.
O Espírito Santo exportou mais de 5 milhões de sacas de café entre janeiro e setembro de 2026, com receita cambial de US$ 1,2 bilhão. O volume representa um crescimento de 58% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a receita avançou 28%. Os números constam no relatório mensal do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) e reforçam a relevância do café capixaba no mercado internacional.
O principal destaque é o conilon, variedade que concentra a maior parte dos embarques do Estado. Nos nove primeiros meses do ano, foram exportadas 4.216.786 sacas, volume que já corresponde ao terceiro maior resultado da série histórica do CCCV, considerando os anos completos e o acumulado parcial de 2026.
Se o ritmo dos embarques for mantido até dezembro, o Espírito Santo poderá encerrar o ano com o segundo maior volume anual de exportação de conilon já registrado. A projeção, no entanto, depende do desempenho dos últimos três meses de 2026 e ainda não representa um resultado consolidado.
Exportações recuam em setembro, mas permanecem acima de 2025
Em setembro, o Espírito Santo exportou 747 mil sacas de café, que renderam US$ 172 milhões. Na comparação com agosto, o volume embarcado caiu 16%, enquanto a receita recuou 15%. A retração mensal, porém, não impediu que o resultado permanecesse significativamente superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.
Na comparação com setembro de 2025, as exportações cresceram 54% em volume e 32% em receita cambial. O conilon puxou a expansão, com aumento de 70% nos embarques. O café arábica também apresentou crescimento, de 13%, enquanto o café solúvel registrou queda de 39%.
A distribuição dos embarques de setembro confirma a predominância do conilon na pauta exportadora capixaba. Foram 653 mil sacas da variedade, ante 73 mil sacas de arábica e 22 mil sacas de café solúvel. Em relação a agosto, as três categorias apresentaram retração: 15% no conilon, 20% no arábica e 26% no solúvel.
O relatório também informa que os dados de agosto foram revisados após o recebimento de informações atualizadas dos exportadores pelo CCCV. Com a correção, o volume daquele mês chegou a 891.143 sacas, tornando-se o quinto maior resultado mensal da série histórica, iniciada em janeiro de 1990.
Conilon acumula mais de 4,2 milhões de sacas
O desempenho do conilon ajuda a explicar o avanço das exportações de café do Espírito Santo em 2026. Entre janeiro e setembro, o Estado embarcou 4,22 milhões de sacas da variedade, aproximando-se de marcas anuais expressivas do setor.
O volume parcial deste ano, contudo, ainda está abaixo das 4.808.179 sacas exportadas em 2020 e distante do resultado de 2024, quando os embarques alcançaram 7.063.105 sacas. A comparação deve considerar que os números de 2026 abrangem apenas nove meses, enquanto os resultados de 2020 e 2024 correspondem a anos completos.
Mesmo assim, o acumulado até setembro já ocupa a terceira posição entre os volumes destacados pelo CCCV. Caso os embarques continuem em ritmo suficiente nos meses restantes, o Estado poderá alcançar o segundo maior resultado anual de sua história na exportação de conilon.
O café arábica também contribuiu para o crescimento das vendas externas. No acumulado de janeiro a setembro, foram exportadas 583 mil sacas, alta de 31% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Em sentido contrário, o café solúvel somou 288 mil sacas, queda de 16% na comparação anual.
O preço médio de exportação no acumulado de 2026 foi de US$ 236 por saca de 60 quilos, segundo o relatório do CCCV.
México e países europeus lideram as compras
O café exportado pelo Espírito Santo alcançou mercados de diferentes continentes, com destaque para México e países europeus. Em setembro, o México foi o principal destino, responsável por 18% das exportações capixabas. A Alemanha apareceu em segundo lugar, com 16%, seguida pela Bélgica, com 12%, e pela Itália, com 10%.
A Turquia respondeu por 6% dos embarques, enquanto Espanha e Estados Unidos ficaram com 5% cada. Equador, Índia e Colômbia registraram participação de 3% cada. Juntos, os dez principais destinos concentraram 81% das exportações do mês; os outros 28 países compradores responderam pelos 19% restantes.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o café capixaba chegou a 63 países. A Bélgica liderou o ranking, com 15% das exportações, seguida pelo México, com 12%. Alemanha e Colômbia responderam por 8% cada, enquanto Estados Unidos e Espanha ficaram com 7% cada.
Itália e Turquia registraram participações de 6% e 5%, respectivamente, assim como o Reino Unido, também com 5%. A Argentina completou a lista dos dez principais destinos, com 4,5%.
No período, os dez maiores mercados concentraram 77% das exportações, enquanto os outros 53 países responderam pelos 23% restantes. A distribuição mostra que, embora parte expressiva dos embarques esteja concentrada nos principais compradores, o café do Espírito Santo mantém presença em um conjunto diversificado de mercados internacionais.
Perspectiva positiva, com resultado anual ainda em aberto
Os dados até setembro apontam crescimento expressivo das exportações de café pelo Espírito Santo, impulsionado principalmente pelo conilon. O avanço do volume embarcado e da receita cambial indica um desempenho superior ao de 2025, enquanto a presença em 63 países demonstra o alcance internacional do produto capixaba.
O resultado de setembro também evidencia que o crescimento anual não elimina oscilações mensais. Apesar da queda em relação a agosto, os embarques permaneceram acima dos registrados um ano antes, mantendo a trajetória positiva observada no acumulado de 2026.
A possibilidade de o Estado encerrar o ano com o segundo maior volume anual de exportação de conilon da série histórica é uma perspectiva sustentada pelo relatório do CCCV, mas ainda depende dos embarques até dezembro. O fechamento do ano permitirá avaliar se o desempenho dos primeiros nove meses será suficiente para confirmar essa posição.



