Primeiro fóssil de dinossauro: quando e como ele foi descoberto
Ossos interpretados como restos de gigantes no século 17 e a origem do termo dinossauro, explicados em ordem cronológica.
Não há uma resposta exata para a pergunta sobre qual foi o primeiro fóssil de dinossauro encontrado pela humanidade. Pessoas podem ter topado com ossos desses animais muito antes de a ciência reconhecer que eles existiram. Sem essa noção, os restos eram explicados de outras formas, e, segundo o Museu de História Natural de Londres (NHM), achados acidentais desse tipo podem ter inspirado lendas sobre dragões.
Os registros científicos mais antigos de ossos depois associados a dinossauros vêm da Inglaterra do século 17. Um deles foi encontrado em Oxfordshire, no sul do país, e adquirido pelo naturalista e químico britânico Robert Plot. Como a existência dos dinossauros ainda não era conhecida, Plot buscou outra explicação para a peça.
Ao compará-la à parte inferior de um fêmur humano, ele concluiu que o osso poderia pertencer a uma pessoa de dimensões extraordinárias. A interpretação foi registrada em seu livro História Natural de Oxfordshire, publicado em 1677, que trazia uma ilustração do achado. Plot, porém, não deu nome científico ao material.
Quase um século depois, em 1763, o médico inglês Richard Brookes retomou o caso e batizou a peça de “Scrotum humanum”. Segundo o NHM, ele justificou o nome dizendo que “foram encontradas pedras representando exatamente as partes íntimas de um homem”. A descrição mostra que a natureza do animal ainda não era compreendida, pois a ciência não tinha conhecimento para reconhecer um réptil pré-histórico.
O reconhecimento científico do Megalossauro veio em 1824, quando o geólogo e paleontólogo britânico William Buckland o descreveu com base em um osso da parte frontal da mandíbula inferior. A peça saiu de uma pedreira de ardósia em Stonesfield, também em Oxfordshire. O nome significa “grande lagarto”. Era um dinossauro carnívoro e bípede do período Jurássico, que a referência situa entre 205 milhões e 142 milhões de anos atrás. O NHM o apresenta como o primeiro dinossauro descrito pela ciência.
O osso examinado por Plot também foi associado ao Megalossauro, mas essa identificação não pode ser confirmada hoje. A peça original se perdeu, e sem ela não é possível fazer uma nova análise.
Identificar fósseis isolados, no entanto, não equivalia a reconhecer um grupo de animais. Esse passo foi dado pelo biólogo e paleontólogo britânico Sir Richard Owen, um dos anatomistas comparativos mais conhecidos do século 19. No início dos anos 1800, além do Megalossauro, foram encontrados no sul da Inglaterra o Iguanodon e o Hylaeosaurus, descritos por Gideon Mantell em 1825 e 1833, respectivamente.
Ao comparar os três, Owen notou que as vértebras da base da coluna, hoje chamadas de sacro, tinham se fundido em vida no Iguanodon e no Megalossauro. Mesmo com fragmentos, concluiu que o Hylaeosaurus também apresentava essa característica. Com base nessas semelhanças, reuniu os animais em um novo grupo no Relatório sobre Répteis Fósseis Britânicos, publicado em 1842, onde usou pela primeira vez o termo “dinosauria”.
A palavra tem origem grega e costuma ser traduzida como “lagarto terrível”. Segundo o NHM, porém, Owen queria destacar que esses animais eram “terrivelmente grandes”, muito maiores que os répteis vivos conhecidos na época.
A trajetória, portanto, não teve um único momento de descoberta. Houve interpretações equivocadas separadas por décadas, a descrição de uma espécie e, depois, o reconhecimento de um grupo. O que começou como um suposto gigante acabou revelando uma forma de vida pré-histórica, e a pergunta sobre o primeiro contato humano com esses fósseis segue sem resposta definitiva.


