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Medicamentos orais para obesidade: o que esperar dos comprimidos análogos ao GLP-1

Semaglutida oral e orforgliprona devem ampliar o tratamento da obesidade no Brasil, mas aguardam aprovação da Anvisa.

Por Roberto Andrade ·
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Medicamentos orais para obesidade: o que esperar dos comprimidos análogos ao GLP-1
Imagem ilustrativa. Foto: autor desconhecido / rawpixel (CC0)

Os medicamentos orais para obesidade devem ampliar as opções de tratamento no Brasil, mas ainda aguardam aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, seis medicamentos estão aprovados no país para tratar a obesidade. Os mais conhecidos são os análogos de GLP-1, como a semaglutida (Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro), ambos injetáveis e de aplicação semanal.

Por isso, esses remédios ficaram conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A pergunta que move o mercado agora é simples: e se existisse um comprimido com efeito semelhante?

Embora a aplicação semanal seja mais prática, pesquisas indicam que muitos pacientes preferem os medicamentos orais para obesidade, mesmo que precisem tomá-los todos os dias, por motivos diversos.

Duas apostas se destacam. A primeira é a semaglutida oral de 25 mg, da Novo Nordisk, fabricante também do Ozempic e do Wegovy injetável. A segunda é a orforgliprona, conhecida como Foundayo, da Eli Lilly, mesma empresa do Mounjaro. Já existe no país uma versão oral da semaglutida em doses de 3 mg, 7 mg e 14 mg, comercializada como Rybelsus, mas ela é indicada para o tratamento do diabetes tipo 2.

Segundo os estudos apresentados pela fabricante, a semaglutida oral de 25 mg levou a uma perda média de peso de 16,6% em adultos com obesidade ou sobrepeso e com uma ou mais comorbidades. Assim como a versão injetável, o comprimido também tem indicação para reduzir o risco de eventos cardiovasculares graves.

A semaglutida oral foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, em dezembro de 2025, e pela União Europeia em julho de 2026. No Brasil, o pedido segue em análise na Anvisa.

A orforgliprona registrou perda média de peso de 12,4%. Ela foi aprovada pela FDA em abril de 2026 para adultos com obesidade ou sobrepeso e comorbidades, e também aguarda a Anvisa. Segundo o estudo Attain-1, divulgado pela farmacêutica, o medicamento esteve associado a uma redução de 57% no risco previsto de diabetes tipo 2 e de 18% no risco previsto de doença cardiovascular em dez anos, na comparação com placebo.

Um estudo apresentado no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD 2026), realizado em Milão, na Itália, acompanhou 194 pessoas que trocaram a injeção pelo comprimido de semaglutida de 25 mg. Após três meses da troca, elas seguiram emagrecendo, com perda média de 4,1% do peso.

Os dois comprimidos atuam como os injetáveis, ajudando a controlar a fome e a saciedade. A diferença está na rotina. A orforgliprona pode ser tomada em qualquer horário, sem restrição de alimentos ou água. Já a semaglutida oral precisa ser tomada com 30 minutos de jejum.

Segundo o endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial de Obesidade, a principal desvantagem da orforgliprona é a possibilidade de interação com outros remédios. Medicamentos como a sinvastatina, usada para o colesterol, e os anticoncepcionais exigem mais cuidados com ela, o que não acontece com a semaglutida.

Os efeitos colaterais dos orais são semelhantes aos dos injetáveis, como náuseas, vômitos e constipação. Halpern avalia que a orforgliprona pode ter mais problemas de tolerabilidade, mas afirma que ainda são necessários estudos diretos para confirmar essa diferença.

Para o especialista, os comprimidos podem ampliar o acesso ao tratamento, sobretudo pela preferência dos pacientes e pelo custo. Como não exigem refrigeração, ao contrário das canetas, e a produção da orforgliprona tende a ser mais simples, a concorrência entre fabricantes pode baratear os preços.

O presidente-executivo da Novo Nordisk, Mike Doustdar, também aponta um possível efeito sobre o estigma da obesidade. Segundo ele, muitos usuários de injetáveis guardam a medicação na geladeira para que visitas não vejam, enquanto um comprimido pode ficar à vista sem constrangimento.

Hoje, nenhum medicamento para obesidade é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em junho, a Novo Nordisk pediu a incorporação da semaglutida injetável à rede pública, com desconto de 59% ao governo. A versão oral ainda não foi aprovada no país e, por isso, não há previsão de chegada ao SUS.

Antes de qualquer mudança, vale lembrar que nenhum remédio deve ser iniciado ou trocado por conta própria. A escolha depende da avaliação médica, dos outros medicamentos em uso e das condições de saúde de cada pessoa.

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