Execução na Arábia Saudita de dois cidadãos de Bangladesh; governo diz que não foi informado
Bangladesh diz que só soube da execução de dois cidadãos na Arábia Saudita após o fato e pede detalhes às autoridades sauditas.
O governo de Bangladesh afirmou que só soube da execução na Arábia Saudita de dois de seus cidadãos depois que o caso já havia ocorrido. Segundo informações da imprensa local, as execuções aconteceram na cidade sagrada de Meca.
De acordo com o Ministério do Interior saudita, um homem e uma mulher de Bangladesh foram executados na quarta-feira (14) após serem condenados por cometer um “ato indecente” dentro de uma mesquita. A pasta não detalhou a natureza do ato.
Em comunicado, o ministério afirmou que as sentenças foram aplicadas pela gravidade do delito e porque os condenados teriam violado a “santidade” do templo. A condenação foi feita com base no chamado “tazir”, categoria de punições que, no direito islâmico, fica a critério do juiz.
O governo de Bangladesh disse ter procurado as autoridades sauditas para pedir mais detalhes sobre o crime e o andamento do processo. A ministra de Estado para Assuntos Exteriores, Shama Obaed Islam, afirmou que outras medidas, como a repatriação dos corpos, serão avaliadas após o recebimento de informações oficiais. Ela disse ainda que o governo está comprometido com o bem-estar e os interesses dos cidadãos de Bangladesh no exterior.
Segundo reportagens locais, os dois nomes constavam em uma lista de presos que a Arábia Saudita havia enviado a Bangladesh a pedido do consulado-geral do país em Jidá. No entanto, o documento não indicava que eles tinham sido condenados à morte.
O caso ganhou repercussão no país porque mais de três milhões de bangladeshianos vivem e trabalham na Arábia Saudita, em sua maioria em empregos de baixa remuneração. Os dois países têm forte proximidade religiosa e laços econômicos estreitos.
Não é a primeira vez que estrangeiros são executados no reino. Segundo a Anistia Internacional, a Arábia Saudita executou cerca de 100 pessoas neste ano, muitas delas estrangeiras condenadas por crimes de drogas. Em 2011, oito homens de Bangladesh foram executados publicamente em Riad após serem considerados culpados pela morte de um egípcio.
No início deste mês, a Arábia Saudita anulou a pena de morte imposta a um cidadão do Sri Lanka por um comentário no Facebook, que levou à condenação por blasfêmia. A decisão veio após forte repercussão no Sri Lanka e gestões diplomáticas pela clemência do homem.

