Vitória, terça-feira 20 de outubro de 2026
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Cafés de Minas batem recorde em leilão no Japão

Por Repórter Capixaba ·
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Image by Norbert Graube from Pixabay

Dois lotes do Sul de Minas alcançaram os maiores preços já pagos por café brasileiro em leilões da Alliance for Coffee Excellence.
O geisha de Carmo de Minas saiu a US$ 200 a libra-peso; o arara de Botelhos, a US$ 151.
Ambos superaram o recorde nacional, que vinha de 2018.

Uma saca de café. Sessenta quilos. R$ 134,5 mil.

Foi quanto valeu, na sexta-feira (16), em Tóquio, um lote de geisha natural da Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG). O produtor é Luiz Paulo Dias Pereira Filho. A compradora, a japonesa Snow Beans Coffee.

O lance fechou em US$ 200 por libra-peso, ou US$ 26.456 a saca. É o maior preço já pago a um café brasileiro em leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE), entidade que organiza o Cup of Excellence, o “Oscar do Café”.

O segundo maior também saiu ali, no mesmo dia. Um café arara natural da Orfeu Cafés Especiais, produzido na Fazenda Sertãozinho, em Botelhos (MG), foi arrematado a US$ 151 por libra-peso. Cerca de R$ 101,6 mil a saca. Quem levou foi a Black Sip Coffee Roasters, da Arábia Saudita.

Os dois passaram o antigo recorde brasileiro, de 2018: US$ 143 por libra-peso, ou R$ 96,2 mil a saca. O geisha de Luiz Paulo ficou 40% acima.

“Vendermos por US$ 200 a libra mostra que todo o trabalho feito pelo produtor é reconhecido internacionalmente”, disse Luiz Paulo.

Luiz Paulo com Nara Byun, executiva e fundadora da Snow Beans Coffee.

Ricardo Madureira, CEO da Orfeu, preferiu olhar para trás. Para ele, o resultado celebra “uma jornada contínua de excelência e não apenas um momento isolado”.

Clube fechado

Não foi um leilão comum. Era o Lendas da Excelência, beneficente, realizado durante a SCAJ 2026, feira mundial de cafés especiais.

Só entram ali 12 produtores e empresas de seis países: Brasil, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua. Ganharam tantas vezes o Cup of Excellence que viraram hors-concours. Não disputam mais o concurso. Para eles, a ACE criou um pregão à parte.

Luiz Paulo e a Orfeu estão nessa lista.

O Cup of Excellence nasceu no Brasil, em 1999, criado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Hoje roda o mundo pelas mãos da ACE. O roteiro é sempre o mesmo: um júri escolhe os melhores grãos da safra, e os vencedores vão a leilão internacional.

Os pioneiros

Tóquio também homenageou quem começou essa história. Marcelo Vieira, fundador da BSCA, e Silvio Leite, conselheiro da entidade, receberam o título de Visionários da Excelência, criado pela ACE para os pioneiros do concurso.

Na mesma lista estão o japonês Hidetaka Hayashi, um dos fundadores da associação japonesa de cafés especiais e jurado desde a primeira edição, e o britânico Stephen Hurst, da Mercanta, um dos primeiros compradores dos cafés vencedores. Foi ele quem levou o campeão da primeira edição brasileira.

Cotação do dólar: R$ 5,087 (fechamento de 15 de outubro).

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