Cafés de Minas batem recorde em leilão no Japão
Dois lotes do Sul de Minas alcançaram os maiores preços já pagos por café brasileiro em leilões da Alliance for Coffee Excellence.
O geisha de Carmo de Minas saiu a US$ 200 a libra-peso; o arara de Botelhos, a US$ 151.
Ambos superaram o recorde nacional, que vinha de 2018.
Uma saca de café. Sessenta quilos. R$ 134,5 mil.
Foi quanto valeu, na sexta-feira (16), em Tóquio, um lote de geisha natural da Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG). O produtor é Luiz Paulo Dias Pereira Filho. A compradora, a japonesa Snow Beans Coffee.
O lance fechou em US$ 200 por libra-peso, ou US$ 26.456 a saca. É o maior preço já pago a um café brasileiro em leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE), entidade que organiza o Cup of Excellence, o “Oscar do Café”.
O segundo maior também saiu ali, no mesmo dia. Um café arara natural da Orfeu Cafés Especiais, produzido na Fazenda Sertãozinho, em Botelhos (MG), foi arrematado a US$ 151 por libra-peso. Cerca de R$ 101,6 mil a saca. Quem levou foi a Black Sip Coffee Roasters, da Arábia Saudita.
Os dois passaram o antigo recorde brasileiro, de 2018: US$ 143 por libra-peso, ou R$ 96,2 mil a saca. O geisha de Luiz Paulo ficou 40% acima.
“Vendermos por US$ 200 a libra mostra que todo o trabalho feito pelo produtor é reconhecido internacionalmente”, disse Luiz Paulo.

Ricardo Madureira, CEO da Orfeu, preferiu olhar para trás. Para ele, o resultado celebra “uma jornada contínua de excelência e não apenas um momento isolado”.
Clube fechado
Não foi um leilão comum. Era o Lendas da Excelência, beneficente, realizado durante a SCAJ 2026, feira mundial de cafés especiais.
Só entram ali 12 produtores e empresas de seis países: Brasil, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua. Ganharam tantas vezes o Cup of Excellence que viraram hors-concours. Não disputam mais o concurso. Para eles, a ACE criou um pregão à parte.
Luiz Paulo e a Orfeu estão nessa lista.
O Cup of Excellence nasceu no Brasil, em 1999, criado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Hoje roda o mundo pelas mãos da ACE. O roteiro é sempre o mesmo: um júri escolhe os melhores grãos da safra, e os vencedores vão a leilão internacional.
Os pioneiros
Tóquio também homenageou quem começou essa história. Marcelo Vieira, fundador da BSCA, e Silvio Leite, conselheiro da entidade, receberam o título de Visionários da Excelência, criado pela ACE para os pioneiros do concurso.
Na mesma lista estão o japonês Hidetaka Hayashi, um dos fundadores da associação japonesa de cafés especiais e jurado desde a primeira edição, e o britânico Stephen Hurst, da Mercanta, um dos primeiros compradores dos cafés vencedores. Foi ele quem levou o campeão da primeira edição brasileira.
Cotação do dólar: R$ 5,087 (fechamento de 15 de outubro).



