Rio Doce: R$ 433 milhões chegam a quem a lama atingiu
Governo assina contratos de 1.464 projetos comunitários em 49 cidades de Minas e do Espírito Santo.
O edital quase dobrou de tamanho. Serra, Colatina e Aracruz estão entre as que mais recebem.
Saem também editais para quintais de mulheres, cooperativas rurais e escolas.
Daqui a duas semanas faz onze anos que a barragem de Fundão se rompeu em Mariana. A lama desceu o Rio Doce, atravessou o Espírito Santo e chegou ao mar em Regência. Nesta segunda-feira (19), em Governador Valadares (MG), o governo federal assinou os contratos de 1.464 projetos de associações, cooperativas e coletivos das cidades atingidas. Somam R$ 433,8 milhões.
O dinheiro vem do Fundo de Participação Social, criado pelo Acordo do Rio Doce para gastar R$ 5 bilhões em 20 anos com projetos escolhidos pelas próprias comunidades. Este edital começou menor: R$ 225 milhões, o bastante para 751 projetos no resultado parcial, em setembro. Outros 631 ficaram numa fila de espera. A conta final quase dobrou, uma alta de 93%, e boa parte da fila entrou.
Minas fica com dois terços, R$ 287,7 milhões divididos entre 38 cidades. O resto, perto de R$ 146 milhões, vai para os 11 municípios capixabas, e três deles estão no alto da lista. Serra leva R$ 25,9 milhões para 85 projetos. Entre as cidades mineiras, só Mariana e Governador Valadares recebem mais. Colatina vem logo atrás, com R$ 21,6 milhões para 80 propostas. Aracruz fica com R$ 20,9 milhões para 73.
Mariana, onde tudo começou, lidera: R$ 42,4 milhões e 152 projetos. No resultado parcial, tinha 60.
Cada projeto recebe de R$ 50 mil a R$ 400 mil e tem de 12 a 18 meses para sair do papel. São 760 entidades no total. O dinheiro vai para geração de renda, economia solidária, recuperação de áreas e modos de vida, adaptação ao clima e comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais, que têm 5% do total reservado. Pela regra, pelo menos metade dos projetos precisa ter uma mulher na coordenação. O governo fala em 1,37 milhão de pessoas “potencialmente impactadas”. A lista completa está no site da Fundação Banco do Brasil.
O evento também serviu de vitrine para dois editais do campo. Um, aberto na sexta-feira pela Anater, vai montar 2 mil quintais produtivos para mulheres atingidas: 1.200 em Minas e 800 no Espírito Santo. São R$ 57,9 milhões em dois anos. Podem ser atendidas agricultoras, assentadas, ribeirinhas, pescadoras, extrativistas e moradoras da periferia das cidades. As entidades que vão tocar o projeto se inscrevem de 27 de outubro a 19 de novembro.
O outro, o Coopera Rio + Doce, é maior: R$ 181,3 milhões para cooperativas da agricultura familiar. O dinheiro paga agroindústrias, máquinas, armazéns, transporte e a venda da produção. A meta é atender pelo menos 18 organizações em até três anos.
Nos próximos dias saem os editais da educação. Um destina R$ 80 milhões à reforma de laboratórios, salas, restaurantes e moradias de universidades e institutos federais da região. O outro, de até R$ 100 milhões, vai pôr ar-condicionado e energia solar em 3 mil salas de cerca de 600 escolas municipais. São 75 mil alunos que hoje estudam no calor.



