Exército de Terracota: impressões digitais indicam que mulheres e adolescentes podem ter ajudado na produção
Impressões digitais em soldados de cerâmica sugerem que mulheres e menores de 15 anos podem ter participado da produção do Exército de Terracota.
Impressões digitais preservadas em peças de cerâmica antigas ajudam pesquisadores a investigar quem participou da construção do Exército de Terracota, o conjunto de soldados em tamanho real enterrado na China. Um novo estudo encontrou indícios de que mulheres e adolescentes podem ter feito parte da força de trabalho responsável pela produção.
A pesquisa, publicada no Journal of Cultural Heritage, analisou 79 impressões digitais encontradas em 36 soldados da unidade T23, localizada no Poço 1 do complexo funerário. As marcas foram deixadas acidentalmente na argila antes da queima. Com um modelo estatístico, os cientistas estimaram a possível faixa etária e o sexo das pessoas que as produziram.
O complexo foi construído para Qin Shi Huang, primeiro imperador de uma China unificada, durante o século 3 a.C. Além dos soldados, o conjunto inclui cavalos e outras figuras. Pesquisas anteriores já haviam identificado inscrições ligadas a artesãos e a diferentes oficinas, mas descobrir a idade e o sexo de quem fabricou as peças era um desafio.
Para isso, a equipe mediu a largura média das cristas digitais, característica que pode indicar grupos demográficos. Como os grupos se sobrepõem, foi usado um modelo de mistura bayesiana, que considera as incertezas da estimativa.
Segundo o estudo, cerca de 45% das impressões foram atribuídas a homens adultos, 32,7% a mulheres adultas e 22,3% a pessoas com menos de 15 anos.
O resultado questiona a ideia de que as figuras foram feitas exclusivamente por homens adultos. Registros da Dinastia Qin também citam mulheres, meninas e meninos envolvidos em outras atividades artesanais organizadas pelo Estado.
Os próprios autores ressaltam que os números descrevem a distribuição das impressões, e não o total de pessoas envolvidas. Um mesmo artesão pode ter deixado várias marcas, enquanto outros podem não ter deixado nenhuma identificável.
Entre as restrições do trabalho estão possíveis diferenças entre populações antigas e modernas, alterações nas dimensões da cerâmica durante a queima e vieses ligados ao comportamento humano. O modelo também usa um conjunto de referência europeu moderno; segundo os pesquisadores, diferenças populacionais nas cristas podem ter levado a uma superestimação da proporção de mulheres e jovens.
Mesmo com essas limitações, o estudo indica que a diversidade da força de trabalho merece ser investigada. Para a equipe, a análise de impressões digitais antigas pode ajudar a entender como grandes projetos artesanais eram organizados e quem participava da execução do Exército de Terracota.



