Protestos na Albânia chegam ao sexto dia em Tirana e premiê recusa renunciar
Protestos violentos em Tirana entram no sexto dia, e o premiê Edi Rama descarta deixar o cargo; feridos somam 272 desde terça-feira (13).
Os protestos na Albânia chegaram ao sexto dia consecutivo neste domingo (18) em Tirana, capital do país, e o primeiro-ministro Edi Rama, que cumpre seu quarto mandato, descartou renunciar ao cargo.
Centenas de manifestantes voltaram a se reunir em frente ao Ministério da Educação, entoando “Rama, renuncie”. A polícia respondeu com balas de borracha, canhões de água e gás lacrimogêneo para conter a multidão.
No centro da cidade, lojas e instituições fecharam portas e janelas com persianas metálicas, enquanto funcionários retiraram pedras do calçamento para impedir que fossem usadas pelos manifestantes. Segundo reportagens locais, os atos têm como alvo principal instituições do governo e a polícia, incluindo o prédio do Ministério da Educação e a área próxima ao gabinete do premiê.
Um relatório do Ministério da Saúde divulgado na manhã de domingo aponta 65 feridos, sendo 37 policiais, e 12 pessoas hospitalizadas. Desde a terça-feira (13), a pasta contabiliza 272 feridos nos confrontos, entre eles 169 policiais.
Em entrevista, a jornalista Lindita Karadaku, do canal de TV Klan, afirmou que é difícil prever como os confrontos vão evoluir e por quanto tempo podem durar. “O primeiro-ministro Rama está determinado e deixou claro que não vai renunciar, mas os jovens que protestam também estão decididos e não vão desistir tão facilmente”, disse. “Neste momento, ninguém sabe o que o amanhã vai trazer.”
Em transmissão ao vivo nas redes sociais no domingo, Rama afirmou que “o governo não está sendo desafiado”, mas sugeriu que a instabilidade pode afetar o caminho do país rumo à adesão à União Europeia, meta que o governo espera alcançar até 2030. “Os albaneses precisam pensar com muita clareza. Eles querem isso, ou querem a União Europeia?”, questionou.
Os manifestantes cobram melhorias na educação, mais empregos, o fim de supostos casos de corrupção em curso e a saída de Rama. O premiê atribuiu a escalada à ação de uma “mão estrangeira” e disse que seu governo trabalha para combater a corrupção. Ao mesmo tempo, afirmou estar disposto a ouvir as reivindicações justas dos estudantes e a discutir os custos da educação, mas insistiu que os responsáveis pela destruição de patrimônio devem ser responsabilizados.
A insatisfação no país cresce há meses. Os primeiros protestos de 2026 ficaram conhecidos como “Revolução do Flamingo” e começaram em maio, quando manifestantes se opuseram a um polêmico projeto de complexo turístico de luxo no sul da Albânia, ligado a Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.



