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Protestos na França terminam em depredações e saques em Paris, Marselha e Lille

Manifestações de sábado (17) em cidades francesas terminaram em saques, incêndios e cerca de 1.800 prisões, segundo as autoridades.

Por Roberto Andrade · · Atualizado às 12h11
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Paris amanheceu neste domingo (18) com lojas destruídas, carros e bicicletas queimados e vidro espalhado pelas calçadas, depois que os protestos na França terminaram em depredações e saques. Segundo as autoridades, a polícia prendeu cerca de 1.800 pessoas no sábado (17).

Os atos reuniram cerca de 550 mil manifestantes em todo o país, e a maioria foi pacífica. Eles protestavam contra a alta dos combustíveis, o custo de vida e a piora dos serviços públicos, incluindo as escolas.

Grupos de pessoas vestidas de preto, com máscaras e balaclavas, se misturaram às manifestações em Paris, Marselha e outras cidades. Alguns incendiaram carros e prédios, e houve saques generalizados em Paris, Marselha e Lille. Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra a multidão, e pelo menos um restaurante foi destruído pelo fogo.

Em Marselha, manifestantes arrombaram a prefeitura usando uma cerca metálica como aríete. Em Lille, um McDonald’s foi incendiado e uma loja da Apple foi invadida e saqueada, segundo a polícia.

O Ministério do Interior informou que mais de 500 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos no sábado. Já a Federação do Varejo e do Comércio estima que cerca de 1.500 lojas foram danificadas.

Na manhã deste domingo, comerciantes varriam os cacos de vidro das fachadas, inclusive de lojas de grifes como Ralph Lauren, Gucci e Versace, enquanto caminhões de lixo removiam parte dos destroços das ruas mais largas. Muitos estabelecimentos amanheceram pichados com frases como “tributem os ricos” e “comam os ricos”.

Um dono de loja de roupas perto da Praça da República, que pediu para não ser identificado, disse ter visto os invasores nas câmeras de segurança por cerca de uma hora e meia e não ter visto policiais durante a ação. Ele afirmou não acreditar que os responsáveis fossem manifestantes e disse que eles aproveitaram os protestos. Imagens de câmeras de segurança divulgadas por um canal de TV francês mostram adolescentes, em sua maioria mascarados, pegando produtos das prateleiras de uma loja de celulares.

“É como se tivéssemos vivido uma guerra”, disse o morador de Paris Mehmet Ozeden à agência de notícias AFP. Uma moradora da região, que deu apenas o primeiro nome, Maryse, afirmou que os saqueadores carregavam cestas de supermercado cheias de produtos e riam dos furtos.

Em Lyon, o prefeito Grégory Doucet classificou como “uma tragédia” o incêndio que atingiu o antigo prédio do escritório de turismo da cidade. Em Limoges, um incêndio na prefeitura provocou o desabamento de parte do edifício de 143 anos. Maurice Barate, representante do Estado no departamento de Haute-Vienne, afirmou que “uma horda selvagem” ateou fogo ao prédio de forma deliberada.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que a manifestação é um direito fundamental, mas que “várias milhares de pessoas de extrema esquerda” cometeram “atrocidades” com o objetivo de atacar prédios públicos e confrontar a polícia. Segundo ele, depois se juntaram a esses grupos “delinquentes que saquearam e destruíram inúmeros negócios em várias cidades da França”. Os protestos estudantis, que reúnem centenas de milhares de pessoas desde o fim do mês passado, cobram mais investimento nas escolas, mais professores e funcionários, salas de aula menos lotadas e a recuperação de prédios precários. O tema também passou a ser debatido às vésperas da eleição presidencial francesa, com questionamentos sobre uma possível manipulação dos protestos.

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