Diagnóstico do Alzheimer ganha exame de sangue aprovado pela Anvisa

Diagnóstico do Alzheimer ganha exame de sangue aprovado pela Anvisa
Imagem ilustrativa. Foto: autor desconhecido / rawpixel (CC0)

Um novo exame de sangue passou a apoiar o diagnóstico do Alzheimer no Brasil. O teste, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), identifica a presença da proteína p-tau217 e está disponível, inicialmente, no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS).

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz), o Alzheimer representa cerca de 70% dos casos de demência no mundo. Estimativas apontam que o número de pessoas com demência no Brasil deve ultrapassar cinco milhões até 2050, e cerca de 80% dos casos ainda não têm diagnóstico formal.

Especialistas afirmam que o processo de investigação é complexo e demorado. Nesse cenário, o novo exame busca funcionar como um recurso adicional para esclarecer a origem dos sintomas.

O teste mede a proteína tau fosforilada 217 no sangue. Os níveis dessa proteína estão associados ao acúmulo de beta-amiloide no cérebro, uma das alterações biológicas características do Alzheimer. Ou seja, o exame não mede diretamente as placas amiloides, mas ajuda a identificar se existe um processo biológico compatível com a doença.

Para a neurologista Marina Tanure, a principal contribuição do exame é acrescentar uma informação à avaliação clínica. “Isso pode tornar o diagnóstico mais preciso”, afirmou, ao explicar que o teste permite investigar se o Alzheimer é a causa de uma dificuldade de memória ou de outra função cognitiva.

Um resultado positivo indica alta probabilidade de patologia amiloide associada ao Alzheimer, mas, isoladamente, não permite concluir que a pessoa tenha demência. Já um resultado negativo reduz essa probabilidade, sem excluir a doença em todos os casos. Resultados inconclusivos ou incompatíveis com o quadro clínico podem exigir exames adicionais.

De acordo com a neurologista Alyne Mendonça, o exame pode funcionar como ferramenta de triagem e, dependendo do teste utilizado, também como método confirmatório. Ela destaca que a mudança é importante, já que a análise do líquor exige punção lombar e o PET cerebral é mais complexo e tem custo elevado. Ainda assim, os métodos tradicionais continuam necessários quando o resultado não for conclusivo.

A neurologista Mariana Grenfell ressalta que o exame de sangue não deve ser usado como rastreamento em pessoas sem sintomas e não substitui a consulta neurológica. Marina Tanure acrescenta que ter um familiar com a doença, isoladamente, não indica a realização do teste, que é voltado a pessoas com sinais, sintomas ou queixas de declínio cognitivo.

Por enquanto, a oferta ocorre de forma privada e o exame só pode ser solicitado por médico. A previsão é que o teste seja integrado a planos de saúde e ao SUS ainda em 2026, por meio de parcerias ligadas ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS.

A Anvisa também aprovou recentemente o Elecsys pTau217, desenvolvido pela Roche Diagnóstica, que mede a mesma proteína. Segundo a empresa, o teste deve estar disponível nos principais laboratórios do país ainda este ano, mediante pedido médico.

Os exames são indicados para investigar esquecimentos persistentes e progressivos, além de outras alterações de memória, linguagem ou raciocínio, sempre após avaliação médica. A investigação continua incluindo avaliação neurológica e cognitiva e, conforme o caso, exames laboratoriais e ressonância magnética.