Dinamarca vai obrigar aluno a “defender” redação pra provar que não usou IA pra colar

Imagem: Gemini IA

Pois é: a Dinamarca cansou. A partir desta semana, quando as aulas voltam depois do verão, cerca de 9 mil estudantes do ensino médio — aqueles entre 16 e 19 anos — vão ter que sentar na frente de um professor e explicar, ao vivo, o que escreveram nos grandes trabalhos anuais. Nada de simplesmente entregar o texto. Se o aluno não souber sustentar o que está no papel, a suspeita de que um chatbot escreveu por ele fica praticamente confirmada.

A medida veio recheada de outras exigências, e nenhuma delas é sutil. Computadores vão ganhar softwares que monitoram a tela durante as provas escritas, e firewalls vão bloquear boa parte do acesso à internet na hora do exame. Além disso, o governo quer que as escolas parem de mandar tanta atividade escrita pra casa — melhor fazer ali mesmo, debaixo do olho do professor. O motivo, segundo o Ministério da Educação do país, é simples de entender: deixar a IA fazer o trabalho intelectual pelo aluno é abrir mão da própria formação.

E não é exagero dinamarquês, não. Do outro lado da fronteira, a Suécia já vinha sentindo o baque: suspensões e advertências por uso indevido de inteligência artificial saltaram 688% entre 2023 e 2025, um número tão alto que obrigou o governo sueco a encomendar uma revisão completa de como as escolas estão lidando com isso. E dentro da própria Dinamarca, uma pesquisa do Instituto Dinamarquês de Avaliação já tinha escancarado o tamanho do buraco: dois em cada três estudantes admitiram ter colado com ajuda de IA pelo menos uma vez, e nove em cada dez usaram a ferramenta em trabalhos de grupo.

Curioso é que a mesma Dinamarca que agora fecha o cerco também já testou o caminho inverso. Desde o ano passado, alguns colégios liberam, em caráter experimental, o uso de inteligência artificial generativa justamente na preparação pra parte oral do exame de inglês — os alunos têm uma hora livre pra consultar o que quiserem antes de encarar o examinador pessoalmente. É como se o país estivesse tateando, ao mesmo tempo, os dois extremos do problema: proibir de um lado, testar do outro.

O que vem por aí, segundo o próprio governo, é ainda maior. As medidas anunciadas agora são só a abertura de uma estratégia nacional mais robusta sobre inteligência artificial na educação, prometida para os próximos meses — e que deve tentar, enfim, desenhar uma linha mais nítida entre o uso legítimo da tecnologia e a cola disfarçada de trabalho escolar.