Motoristas que circulam pela Avenida Norte-Sul, em Vitória, já enfrentam uma nova configuração no trânsito. As obras do Mergulhão de Camburi entraram em uma etapa considerada uma das mais complexas do projeto, exigindo a ampliação do canteiro de obras e a redução do número de faixas em um dos principais corredores viários da Grande Vitória.
A principal mudança ocorre para quem sai de Jardim Camburi em direção à Serra pela Norte-Sul. O trecho passou a operar com apenas uma faixa de rolamento nas proximidades do antigo Hotel Canto do Sol. A alteração substitui o planejamento inicial, que previa a manutenção de duas faixas durante toda a execução da obra. Segundo a Prefeitura de Vitória, a redução foi necessária para garantir segurança durante a execução das fundações que darão sustentação às futuras passagens subterrâneas.
As mudanças não se limitam ao estreitamento da pista. Os acessos também foram reorganizados temporariamente. Quem segue de Jardim Camburi para o Centro de Vitória agora encontra o retorno alguns metros mais à frente, controlado por semáforo. A mudança permite a passagem dos veículos que deixam a Avenida Dante Michelini em direção à Serra pela Norte-Sul.
Já os motoristas que vêm do Centro com destino à Serra passaram a utilizar um novo acesso à esquerda, integrado às duas faixas provisórias da Norte-Sul. A Secretaria Municipal de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana (Setran) informou que ainda avaliará, durante a operação, a necessidade de implantação de um semáforo nesse ponto. Todas essas alterações permanecerão em vigor enquanto durar esta etapa da obra.
Para os demais trajetos, praticamente não houve mudanças. Quem vem da Serra em direção ao Centro continua utilizando o acesso já implantado para a Avenida Dante Michelini. Os motoristas que deixam Jardim Camburi rumo à Serra seguem entrando na Norte-Sul pela direita. Já quem sai do Centro em direção a Jardim Camburi continua utilizando a Avenida Dante Michelini, que permanece com duas faixas de circulação. O acesso da Serra para Jardim Camburi também foi mantido por meio do retorno próximo ao Aeroporto de Vitória.
A Prefeitura orienta que os condutores redobrem a atenção à sinalização provisória, reduzam a velocidade e programem o deslocamento com antecedência, especialmente nos horários de maior movimento. A administração municipal afirma que o período de férias escolares foi escolhido para executar essa fase justamente porque registra uma redução natural no fluxo de veículos.
As intervenções também atingem quem utiliza bicicleta como meio de transporte. Durante as obras, os ciclistas que seguem no sentido Serra–Vitória devem deixar a ciclovia da Norte-Sul no semáforo da Rua Carlos Gomes Lucas, próximo ao Posto BR, seguir pela calçada compartilhada até a Avenida Dante Michelini e acessar novamente a ciclovia de Camburi pelo semáforo da Rua Carlos Martins. A rota é provisória e permanecerá até o fim desta fase da construção.
Nesta etapa, as equipes executam a escavação e a concretagem de aproximadamente 1.650 estacas de fundação, que somam cerca de 30 quilômetros lineares de perfuração. Também serão utilizados cerca de 7,3 mil metros cúbicos de concreto e 850 toneladas de aço para formar as paredes estruturais dos dois mergulhões. É justamente a necessidade desse trabalho pesado que levou à ampliação do canteiro e à redução temporária da capacidade da via.
Orçada em R$ 77,5 milhões, a obra é uma das maiores intervenções de mobilidade urbana em andamento na capital. O projeto prevê a construção de duas passagens subterrâneas que eliminarão os cruzamentos em nível entre a Avenida Norte-Sul e a Avenida Dante Michelini, um dos principais gargalos do trânsito de Vitória.
O primeiro mergulhão atenderá aos veículos que chegam da BR-101, na altura de Bairro de Fátima, com destino à região de Tubarão. O segundo será utilizado por quem sai de Jardim da Penha em direção à BR-101. Na superfície, as três faixas atuais serão preservadas, enquanto o fluxo que utilizar os túneis deixará de cruzar os semáforos existentes, reduzindo os conflitos entre veículos.
De acordo com as projeções apresentadas pela Prefeitura de Vitória, a intervenção deverá reduzir significativamente o tempo de travessia do cruzamento. A estimativa é que o percurso, que atualmente pode levar entre 55 e 88 segundos nos horários de pico, passe a ser realizado em cerca de 10 segundos após a conclusão da obra. A velocidade média no trecho também deverá aumentar de aproximadamente 2 km/h para cerca de 33 km/h.
O empreendimento passou por audiências públicas, reuniões com moradores e discussões em diferentes órgãos antes do início das obras. Segundo a administração municipal, o projeto recebeu as licenças ambientais necessárias e autorizações de órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além das permissões para manejo de fauna e supressão vegetal.
A previsão oficial é que o Mergulhão de Camburi seja entregue no primeiro trimestre de 2027. Até lá, novas adequações no trânsito poderão ser realizadas conforme o avanço das etapas construtivas.
