Estudantes das redes municipal e estadual de Cariacica estão participando de uma iniciativa que combina atividades pedagógicas e viagens de trem para aproximá-los da história e da realidade da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). O Projeto Viagem Capixaba, desenvolvido ao longo de 2026, promove oficinas de produção cultural e experiências de campo voltadas à valorização da memória ferroviária e à conscientização sobre segurança nos trilhos.
As atividades atendem escolas localizadas próximas à ferrovia e incluem oficinas de podcast, fotografia, composição musical e criação de histórias em quadrinhos. Ao fim de cada ciclo, os participantes embarcam em uma viagem pela EFVM, entre Cariacica, Vila Velha e Serra. Durante o percurso, estudantes registram impressões sobre o território, observam a paisagem e participam de intervenções teatrais que abordam temas como convivência entre comunidades e ferrovia, cidadania e prevenção de acidentes.
O projeto é uma iniciativa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), financiada por recursos destinados à preservação da memória ferroviária e executada pelo Instituto Com.Chá, em parceria com a Vale. Ao longo de quatro anos, a expectativa é realizar 100 oficinas e 17 viagens culturais, alcançando cerca de 10,2 mil participantes e formando um acervo de relatos, registros e produções artísticas relacionados à história das comunidades que vivem ao longo da ferrovia.
Entre os estudantes, a experiência tem proporcionado contato inédito com o transporte ferroviário e com a própria história do território onde vivem. Muitos fizeram a primeira viagem de trem durante a atividade e destacaram a oportunidade de observar paisagens como os manguezais da Grande Vitória, além de conhecer regras de segurança apresentadas de forma lúdica por meio de encenações. Nas oficinas, grupos também produziram músicas e histórias inspiradas na relação entre a ferrovia e a vida das comunidades.
A proposta segue uma tendência adotada em diferentes projetos de educação patrimonial no país, que utilizam bens históricos e infraestruturas ferroviárias como ferramentas de aprendizagem. Além de preservar a memória ligada às ferrovias, iniciativas desse tipo buscam fortalecer o sentimento de pertencimento dos estudantes em relação ao lugar onde vivem e estimular uma convivência mais segura com a linha férrea, especialmente em municípios cortados pela EFVM.
