Brasil ganha quase 600 mil empresas em 2024, mas renda do trabalhador segue praticamente estagnada

O Brasil encerrou 2024 com um crescimento expressivo no número de empresas em atividade, mas esse avanço não foi acompanhado por uma melhora significativa na remuneração dos trabalhadores. Dados divulgados pelo IBGE mostram que o país passou de 10 milhões para 10,6 milhões de empresas e outras organizações no período, alta de 5,8%, enquanto o salário médio mensal permaneceu praticamente estável, com variação real de apenas 0,2%, passando de R$ 3.924,04 para R$ 3.932,45.

O levantamento aponta que o aumento foi impulsionado principalmente pela abertura de pequenos negócios. As empresas com até nove pessoas ocupadas representam 93,4% do total existente no país. Apesar disso, o impacto sobre o mercado de trabalho foi mais limitado, já que esse perfil de empreendimento emprega menos trabalhadores. Em contrapartida, as empresas com 250 ou mais empregados, embora correspondam a apenas 0,2% do total, concentram 55,7% dos assalariados e respondem por 69% de toda a massa salarial paga no Brasil.

O número de trabalhadores com carteira ou vínculo assalariado também avançou, passando de 52,6 milhões para 54,2 milhões de pessoas, crescimento de 3%. Ainda assim, a renda média pouco mudou. A pesquisa revela que os maiores salários continuam concentrados em setores específicos, como organismos internacionais, eletricidade e gás e atividades financeiras, enquanto comércio e serviços administrativos — responsáveis por grande parte das empresas abertas — permanecem entre os segmentos de menor remuneração.

Os dados também evidenciam desigualdades persistentes no mercado de trabalho. As mulheres receberam, em média, R$ 3.608 por mês, cerca de 16% menos que os homens, cuja remuneração média foi de R$ 4.206. A escolaridade continua sendo um dos principais fatores de diferença salarial: trabalhadores com ensino superior completo receberam, em média, R$ 7.776 mensais, praticamente o triplo do rendimento daqueles sem graduação, que ficaram em R$ 2.742.

Regionalmente, o Sudeste manteve a liderança na atividade econômica, concentrando pouco mais da metade das unidades locais do país, quase metade dos empregos formais e 52,3% da massa salarial. Para o IBGE, o cenário de 2024 mostra uma economia que continua criando empresas e ampliando a ocupação, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse dinamismo em ganhos consistentes de renda para a maior parte dos trabalhadores.