O governo dos Estados Unidos deu início ao processo de desativação de grande parte da Ocean Observatories Initiative (OOI), uma das mais extensas redes de monitoramento oceânico do mundo, composta por mais de 900 sensores instalados em diferentes regiões dos oceanos Atlântico e Pacífico. A medida, anunciada pela Fundação Nacional de Ciência (NSF), provocou reação imediata de pesquisadores, que alertam para os impactos na coleta de dados essenciais sobre clima, correntes marítimas, biodiversidade e eventos extremos.
Criada para operar por até três décadas, a rede entrou em funcionamento em 2016 e fornece informações em tempo real utilizadas por cientistas de diversos países. Segundo a NSF, a iniciativa passará por uma redução de escopo, com a remoção gradual da infraestrutura submersa em áreas estratégicas próximas às costas do Oregon, Washington, Alasca e Carolina do Norte, além do Mar de Irminger, entre a Groenlândia e a Islândia. A desmontagem dos primeiros equipamentos está prevista para começar ainda neste mês.
Pesquisadores afirmam que a interrupção dos dados poderá comprometer estudos de longo prazo sobre o aquecimento dos oceanos e fenômenos climáticos globais. Entre as preocupações está o acompanhamento da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), sistema de correntes considerado fundamental para o equilíbrio climático do planeta. Especialistas destacam que séries históricas contínuas são indispensáveis para identificar tendências e compreender alterações que ocorrem ao longo de décadas.
A decisão ocorre em meio a uma série de cortes e reestruturações promovidos pela administração Trump em órgãos ligados à ciência e ao meio ambiente. O orçamento proposto para 2026 prevê reduções significativas em programas federais de pesquisa climática e oceanográfica, afetando iniciativas de monitoramento conduzidas por diferentes agências norte-americanas. Cientistas argumentam que o enfraquecimento dessas estruturas pode reduzir a capacidade global de prever fenômenos como El Niño, tempestades severas e alterações nos ecossistemas marinhos.
Enquanto os Estados Unidos reduzem investimentos em observação oceânica, outras regiões buscam ampliar sua participação na produção de dados ambientais. A União Europeia anunciou recentemente novos aportes financeiros para expandir sistemas de monitoramento marítimo e fortalecer sua autonomia científica, movimento interpretado por especialistas como uma resposta à crescente incerteza sobre a continuidade da liderança norte-americana em pesquisas climáticas globais.
