Em meio ao desafio de recuperar o aprendizado após a pandemia, a cidade de Viana decidiu ir direto ao ponto: garantir que cada estudante tenha o próprio livro em mãos. A aposta ganhou forma nesta quarta-feira (1º), com o lançamento do programa “Minha Biblioteca: Ler, Contar e Encantar”.
A iniciativa começa com um número expressivo: mais de 100 mil livros serão distribuídos ao longo do ano para cerca de 15 mil alunos da rede municipal, desde a educação infantil até a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Cada estudante vai receber um kit com dez obras literárias, escolhidas de acordo com a etapa de ensino.
A lógica é simples — e antiga, mas nem sempre aplicada com consistência: quanto mais cedo e frequente o contato com os livros, maior a chance de formar leitores de fato. E não apenas leitores técnicos, mas alunos capazes de interpretar, questionar e se expressar.
O movimento não acontece por acaso. Dados mais recentes do Ministério da Educação indicam que Viana atingiu 78% de alunos alfabetizados em 2025. Um salto considerável em relação aos 69% registrados no ano anterior — e acima da meta nacional, que era de 73%.
Esse avanço coloca o município entre os melhores resultados da Região Metropolitana da Grande Vitória. Mais do que um número, o índice ajuda a explicar por que a leitura virou prioridade prática, e não apenas discurso.
Dentro das escolas, a expectativa é que os livros circulem. Não fiquem guardados. A proposta é que eles acompanhem os alunos em casa, entrem na rotina das famílias e ampliem o tempo de exposição à leitura — um fator que especialistas em educação apontam como decisivo para consolidar a alfabetização nos primeiros anos.
A cena que marcou o lançamento do programa ajuda a traduzir essa intenção. Emanuele Bruna, de 6 anos, aluna do 1º ano, subiu ao palco e leu a primeira página de um dos livros que farão parte dos kits. Sem ensaio elaborado, sem formalidade excessiva — apenas leitura. É esse tipo de familiaridade que o município tenta multiplicar.
O programa também se conecta ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, política federal que estabelece como meta garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até o fim do 2º ano do ensino fundamental. A iniciativa ganhou força após os impactos da pandemia, que ampliaram desigualdades e atrasaram o processo de aprendizagem em diversas regiões do país.
Relatórios recentes de organizações como o Todos Pela Educação e dados divulgados por veículos como G1 e Agência Brasil mostram que o Brasil ainda enfrenta dificuldades para recuperar plenamente os níveis de alfabetização pré-pandemia. Nesse cenário, ações que ampliam o acesso direto ao livro têm sido apontadas como uma das estratégias mais eficazes — especialmente quando combinadas com acompanhamento pedagógico contínuo.
Em Viana, o plano agora é fazer com que os números se sustentem. E, mais do que isso, avancem. A distribuição dos livros será feita de forma gradual, acompanhando o calendário escolar e o desenvolvimento dos alunos.
