O tempo está apertado — e a mudança é definitiva. Hotéis, pousadas e outros meios de hospedagem em todo o país têm até o dia 20 de abril para deixar de vez o papel e adotar a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) em formato totalmente digital.
A exigência não é nova, mas agora passa a valer na prática. A digitalização do registro de hóspedes foi consolidada pela Lei Geral do Turismo (Lei 14.978/2025), que atualiza regras do setor e pressiona empreendimentos a modernizar processos que, por décadas, dependeram de formulários impressos e arquivos físicos.
Na rotina dos hotéis, a mudança é significativa. O preenchimento manual — muitas vezes repetitivo e sujeito a erros — dá lugar a um sistema online, integrado e padronizado. O check-in tende a ser mais rápido. Menos filas, menos papel, menos retrabalho.
Segundo o Ministério do Turismo, a nova FNRH é 100% digital. Isso significa que todos os dados passam a ser armazenados diretamente em servidores do governo federal, sem necessidade de arquivos físicos. Na prática, desaparecem custos com impressão, armazenamento e organização de documentos.
Mas não é só uma questão operacional. Existe um impacto direto na gestão e até na formulação de políticas públicas.
Com os dados centralizados, o governo passa a ter um retrato mais fiel de quem viaja pelo Brasil — de onde vem, por que viaja, quanto tempo fica e como se desloca. Antes, essas informações eram coletadas manualmente, o que gerava distorções e lacunas.
Agora, com maior precisão, o setor ganha uma ferramenta estratégica. É esse tipo de informação que orienta investimentos, campanhas de turismo e decisões sobre infraestrutura.
Nos bastidores, a plataforma foi desenvolvida pelo Ministério do Turismo em parceria com o Serpro. A promessa é de um sistema seguro, alinhado às regras da Lei Geral de Proteção de Dados.
Os dados dos hóspedes, segundo o governo, não são divulgados individualmente. As informações são consolidadas de forma anonimizada, preservando a identidade dos viajantes.
Ainda assim, a adaptação exige atenção. Muitos estabelecimentos, especialmente os de pequeno porte, ainda estão em fase de transição. Para tentar reduzir a resistência e acelerar o processo, o ministério passou a oferecer materiais de apoio, como vídeos explicativos e páginas com perguntas frequentes.
Do lado do setor, a avaliação é pragmática. A digitalização reduz custos, simplifica processos e diminui riscos jurídicos — principalmente em relação ao armazenamento e à perda de documentos.
Ao mesmo tempo, impõe um novo padrão. Quem não se adaptar até o prazo pode enfrentar dificuldades operacionais e até problemas regulatórios.
