Artesanato capixaba ganha vitrine no Mercado da Capixaba em exposição especial pelo Dia do Artesão

O Dia do Artesão, celebrado em 19 de março, será marcado por uma exposição inédita no Mercado da Capixaba, no Centro de Vitória. A mostra reúne peças produzidas por participantes do projeto Acelera Artesanato, iniciativa do Sebrae/ES realizada no fim de 2025. Com entrada gratuita, a exposição segue aberta ao público até 19 de maio, de terça a domingo, das 9h às 17h.

Batizada de “Fé, fibra e argila: um novo artesanato religioso capixaba”, a exposição apresenta uma coleção de souvenires inspirados na religiosidade popular. Entre os temas, aparecem imagens de Nossa Senhora, São Francisco e diferentes modelos de terços. O trabalho foi desenvolvido em duas frentes: em Marataízes, com foco em fibras vegetais, e na capital, com produção em cerâmica.

As peças nasceram de um processo orientado por dois artesãos reconhecidos nacionalmente: João de Fibra e Valmir Neves, ambos integrantes da lista Top 100 do Artesanato Brasileiro. Enquanto a produção em cerâmica foi concentrada em uma imersão de quatro dias, o trabalho com fibras exigiu quase três meses de dedicação. O resultado é uma coleção autoral que agora chega ao público acompanhada de catálogo próprio.

Além das obras, a exposição abre espaço para quem está por trás delas. Artesãos estarão no local ao longo do período para conversar com visitantes e compartilhar suas trajetórias. É o caso de Acélio Rubens, que vive em Vitória desde 1976 e encontrou no barro sua principal forma de expressão. Para ele, trabalhar com a matéria-prima da própria terra é também uma forma de contar histórias. Já a artesã Marcely Martins, de Itapemirim, apresenta peças feitas com fibra de abacaxi — um material ainda pouco explorado, mas que, segundo ela, trouxe novos caminhos criativos.

Para o Sebrae/ES, a data vai além da celebração simbólica. O objetivo é dar visibilidade a um setor que movimenta a economia criativa e ainda enfrenta desafios para se consolidar como fonte de renda. Ao ocupar um espaço tradicional da cidade, a exposição reforça o papel do artesanato como parte viva da cultura capixaba — e como oportunidade concreta de negócio.