Na próxima segunda-feira, 23 de março, começa oficialmente o período para entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026. A partir dessa data, milhões de brasileiros terão de organizar documentos, revisar rendimentos e acertar as contas com o Leão.
O prazo segue até 30 de maio. Quem perder a data final estará sujeito a multa e pode enfrentar problemas com o CPF, como restrições para financiamentos, emissão de passaporte ou participação em concursos públicos.
A Receita Federal estima receber cerca de 46 milhões de declarações em todo o país neste ano. É um volume alto — e crescente. Nos últimos anos, o número de contribuintes obrigados a declarar aumentou com a ampliação da renda formal, a popularização dos investimentos e o cruzamento digital de dados feito pelo Fisco.
No fundo, o processo é simples. Mas exige atenção.
Quem precisa declarar
Nem todo brasileiro precisa enviar a declaração. A obrigação depende da renda, do patrimônio e de algumas movimentações financeiras registradas no ano anterior.
Deve declarar quem, em 2025:
recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 33.888 ao longo do ano, como salários, aposentadorias ou pensões
teve receita bruta de atividade rural superior a R$ 169.440
recebeu rendimentos isentos ou não tributáveis acima de R$ 200 mil
possuía bens ou direitos com valor total superior a R$ 800 mil em 31 de dezembro
realizou operações na bolsa de valores
teve ganho de capital na venda de imóveis ou outros bens
Também entram na lista contribuintes que passaram a morar no Brasil em 2025 ou que tiveram rendimentos no exterior.
Para quem se enquadra em uma dessas situações, a declaração é obrigatória.
Declaração pré-preenchida ganha mais espaço
Nos últimos anos, a Receita Federal passou a apostar em um modelo que promete reduzir erros e acelerar o preenchimento: a declaração pré-preenchida.
Nesse formato, parte das informações já aparece automaticamente no sistema. Dados de salários, aplicações financeiras, planos de saúde e despesas médicas são enviados diretamente por empresas, bancos e prestadores de serviço.
Na prática, o contribuinte recebe uma espécie de rascunho da declaração.
Mesmo assim, especialistas recomendam cautela. O envio das informações continua sendo responsabilidade do contribuinte. Por isso, cada dado deve ser conferido antes da transmissão.
Restituições começam em maio
Quem tiver imposto a restituir poderá receber o dinheiro a partir de maio. Como acontece todos os anos, os pagamentos serão feitos em cinco lotes ao longo dos meses seguintes.
A prioridade continua sendo para alguns grupos específicos:
idosos com mais de 80 anos
pessoas com mais de 60 anos
contribuintes com deficiência ou doença grave
professores cuja principal fonte de renda seja o magistério
Depois entram os contribuintes que optarem pela declaração pré-preenchida e indicarem chave Pix para receber a restituição.
Quem entrega antes — e sem inconsistências — costuma receber mais rápido.
O risco de deixar para a última hora
Todo ano o cenário se repete. Nas semanas finais do prazo, o sistema da Receita fica congestionado e muitos contribuintes correm contra o relógio.
Além da pressa, aparecem erros simples: recibos esquecidos, despesas médicas mal registradas ou rendimentos informados de forma incompleta.
Quem não enviar a declaração dentro do prazo paga multa mínima de R$ 165,74. Se houver imposto devido, a penalidade pode chegar a 20% do valor do tributo, além de juros.
Por isso, contadores costumam repetir o mesmo conselho: separar os documentos com antecedência, revisar as informações com calma e evitar a corrida de última hora.
