por Roberto Andrade e pesquisa de IA
“Seu Manel” ou “manézinho”, como chamam meu pai Manoel, tem 86 anos e uma namorada (84 anos). Pelo menos duas vezes por semana eles dormem juntos. O velho garante que ainda dão no couro e se divertem. Eu não duvido. Cabe ao meu irmão providenciar as “pílulas mágicas”: “Ele pensa que é bala, usa direto”, me conta meu irmão, que tem o mesmo nome do papai. É esquisito pensar no velho (viúvo há vários anos) namorando e ainda fazendo sexo na idade dele, mas assim são as coisas. Se ele está feliz, então tudo está bem!
Por décadas, a cultura popular repetiu a mesma história: envelhecer significaria pendurar não apenas as chuteiras, mas também a vida sexual. Só que a realidade — bem menos careta — está desmentindo esse mito. E com certa dose de humor.
Estudos comprovam que idosos continuam sexualmente ativos
Cada vez mais estudos e relatos mostram que homens e mulheres continuam sexualmente ativos muito depois dos 60, dos 70… e até dos 80 anos (o velho manézinho que o diga!). Em alguns casos, dizem até que o sexo fica melhor com o passar do tempo.
Sim, melhor.
A razão é simples. Quando a juventude passa, a pressa também vai embora. E a intimidade ganha outro ritmo.
Pesquisas conduzidas por universidades britânicas com milhares de adultos mais velhos indicam que pessoas que mantêm alguma atividade sexual relatam maior satisfação com a vida e níveis mais altos de bem-estar emocional.
Ou seja: a libido pode até mudar de forma — mas dificilmente desaparece.
E isso abre espaço para histórias que fariam corar qualquer roteiro de comédia romântica.
Um casal norte-americano de 70 e poucos anos contou recentemente que mantém relações três vezes por semana. Eles descrevem a experiência com uma expressão divertida: “sexo shar-pei”. A referência é ao famoso cachorro cheio de rugas — uma forma bem-humorada de dizer que o tempo deixa marcas… mas não tira o prazer.
Afinal, como dizem os dois, na juventude o sexo era “mais rápido e frenético”. Hoje, afirmam, é mais lento, mais atento e — curiosamente — mais apreciado.
Outra mulher, de 71 anos, resumiu a fase com entusiasmo quase adolescente: “estou tendo o melhor sexo da minha vida”. Segundo ela, orgasmos múltiplos e encontros longos fazem parte da rotina.
Nada mal para quem cresceu ouvindo que o desejo tinha prazo de validade.
A ciência também ajuda a explicar por quê.
Com a idade, muitos casais ficam livres de algumas pressões típicas da vida adulta — criação dos filhos, carreira intensa, falta de tempo. De repente, sobra algo que antes parecia raro: tranquilidade.
E, curiosamente, autoconhecimento.
Especialistas afirmam que pessoas mais velhas costumam saber melhor o que gostam e se sentem menos presas a expectativas sociais. Essa combinação — maturidade, comunicação e menos pressa — pode tornar a intimidade mais satisfatória.
Há também efeitos físicos interessantes.

Durante o sexo, o corpo libera endorfinas e outros hormônios ligados ao bem-estar. Esses compostos ajudam a reduzir o estresse, melhorar o humor e fortalecer vínculos emocionais.
Alguns estudos até sugerem que a atividade sexual pode estar associada a melhor função cognitiva em idosos — especialmente quando ocorre com certa frequência.
Em outras palavras: cérebro, coração e autoestima agradecem.
Mas nem tudo é romance de novela.
Descuido cobra o preço
A longevidade sexual trouxe também desafios que muitos médicos ainda não discutem abertamente com seus pacientes.
Nos Estados Unidos e na Europa, especialistas têm observado aumento de infecções sexualmente transmissíveis entre pessoas acima de 60 anos. Entre os motivos estão o menor uso de preservativos e a falsa ideia de que idosos não correm riscos.
É um lembrete simples — e importante: desejo não tem idade, mas prevenção também não.
Apesar disso, pesquisadores dizem que a maior mudança talvez seja cultural.
Por muito tempo, a sexualidade na velhice foi tratada como tabu — ou, no mínimo, como motivo de piada. Hoje, esse silêncio começa a ser quebrado.
E, ironicamente, muitos idosos parecem lidar com o tema com mais naturalidade que os jovens.
Talvez porque, depois de décadas de vida, algumas coisas deixam de ser drama.
Outras viram apenas motivo de riso.
E, entre risadas, carinho e alguma criatividade, muita gente está descobrindo algo curioso: envelhecer pode até trazer rugas. Mas não precisa trazer monotonia.
Olhando o velho saindo de casa para namorar, com a pochete embaixo do braço, e um sorriso maroto no rosto, sempre penso comigo: será que vou ter essa mesma “vibe” no futuro? Deus queira que sim!
