O município de Conceição da Barra, no litoral norte do Espírito Santo, passou a reconhecer oficialmente o mero como peixe-símbolo e patrimônio natural da cidade. A medida foi formalizada na quinta-feira (5), durante sessão solene realizada na Câmara de Vereadores.
A nova lei municipal também declara os manguezais da região como patrimônio ambiental, por abrigarem o maior berçário monitorado da espécie no Brasil.
Com cerca de 29 mil habitantes e localizado a aproximadamente 250 quilômetros de Vitória, o município ganhou destaque em pesquisas científicas dedicadas à conservação do mero.
Berçário natural da espécie
Desde 2014, pesquisadores do Projeto Meros do Brasil já identificaram mais de 300 filhotes da espécie nos manguezais de Conceição da Barra. O levantamento é realizado com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Os estudos no Espírito Santo são feitos de forma não letal e contam com a colaboração de pescadores locais. As pesquisas analisam aspectos como genética, padrões de deslocamento e hábitos alimentares do peixe.
A lei municipal destaca a importância ecológica desses ambientes. O texto estabelece que o ecossistema de manguezal de Conceição da Barra, por funcionar como berçário natural do mero e de outras espécies marinhas, passa a ser objeto permanente de proteção e valorização.
Gigante da costa brasileira
O mero, identificado cientificamente como Epinephelus itajara, é um dos maiores peixes da costa brasileira. Na fase adulta, costuma viver próximo a recifes de coral, costões rochosos e estruturas submersas.
Já na fase inicial de crescimento, os indivíduos são encontrados principalmente em manguezais, onde encontram abrigo e alimento.
Conhecido também como “senhor das pedras” — tradução aproximada da palavra indígena itajara — o peixe pode atingir até 2,5 metros de comprimento e cerca de 500 quilos. Apesar do tamanho, é considerado inofensivo aos seres humanos.
Durante muitos anos, porém, a espécie foi alvo frequente da pesca, situação que contribuiu para a redução da população e levou à criação de medidas de proteção.
Espaço para educação ambiental
Além da aprovação da lei, o município inaugurou a Sala de Cultura Oceânica Meros, instalada no Polo da Universidade Aberta do Brasil, no centro da cidade.
O espaço foi criado para sediar atividades permanentes de educação ambiental relacionadas ao mero e aos ecossistemas costeiros.
A sala funciona diariamente, das 8h às 17h, com atendimento de colaboradores do projeto. O local está sendo equipado com computadores, acesso à internet e uma exposição permanente sobre a espécie. As atividades educativas poderão ser agendadas junto à Secretaria Municipal de Educação.
O coordenador do Projeto Meros do Brasil no Espírito Santo, Maurício Hostim, avalia que o reconhecimento do mero como símbolo municipal representa um avanço na estratégia de conservação da espécie no estado.
Segundo ele, o peixe também deverá integrar ações de educação ambiental nas escolas da rede municipal, junto a temas relacionados aos manguezais, recifes de coral e costões rochosos.
A proposta de reconhecer o mero como peixe-símbolo foi discutida anteriormente em audiência pública realizada na Câmara Municipal. Na ocasião, o coordenador de Educação Ambiental do município, Rodrigo Caulyt, destacou o potencial da espécie como ferramenta pedagógica.
O secretário municipal de Educação, Fabrício Crizostomo, também apoiou a iniciativa e sugeriu que o tema seja incorporado ao currículo escolar, especialmente nas disciplinas de ciências, com abordagem interdisciplinar.
