Linha Agroamigo Água financiou infraestrutura hídrica para mais de 880 famílias rurais capixabas em 2025.
A água continua sendo um dos fatores que mais determinam o sucesso — ou o fracasso — de quem vive da produção rural. No Espírito Santo, uma linha de crédito voltada à agricultura familiar tem ajudado a mudar essa realidade.
Em 2025, o Banco do Nordeste liberou R$ 8,4 milhões por meio do programa Agroamigo Água, permitindo que mais de 880 famílias agricultoras investissem em infraestrutura hídrica em suas propriedades. O valor representa crescimento de 95% em relação a 2024, segundo dados da instituição.
O financiamento viabiliza obras e equipamentos que garantem água dentro do próprio imóvel rural — algo decisivo para quem depende da produção diária para sobreviver.
Com os recursos, produtores podem investir em captação, armazenamento, distribuição e reuso da água. Na prática, isso significa desde a construção de reservatórios e cacimbas até sistemas de irrigação mais eficientes.
Essas melhorias têm impacto direto na produção. Atividades como horticultura e criação de pequenos animais, comuns na agricultura familiar, dependem de abastecimento regular e de irrigação adequada para manter a produtividade.
Segundo o diretor de Negócios do Banco do Nordeste, Vandir Farias, o acesso à água é um elemento central para a permanência das famílias no campo.
“A água é um insumo vital para quem vive e produz no meio rural. Quando ela chega com segurança, aumenta a autonomia das famílias e melhora a capacidade produtiva das propriedades”, afirma.
Ele destaca que o número de agricultores atendidos pelo programa também cresceu de forma significativa. Entre 2024 e 2025, o total de famílias beneficiadas aumentou cerca de 67%.
Crescimento do programa
O avanço não ocorreu apenas no Espírito Santo. Em toda a área de atuação do Banco do Nordeste — que inclui os estados do Nordeste, além de parte de Minas Gerais e do território capixaba — o programa registrou expansão expressiva.
Entre 2024 e 2025, o número de operações saltou de 167,7 mil para 265,2 mil contratos, crescimento de 58%.
No mesmo período, o volume de recursos liberados passou de R$ 649,4 milhões para R$ 1,012 bilhão, alta de 55,9%.
De acordo com o banco, a linha faz parte das ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, alinhadas ao Plano Safra e à estratégia institucional chamada Agroamigo Cada Vez Melhor. O objetivo é estimular tecnologias adaptadas a regiões com menor disponibilidade de água e ampliar a capacidade de convivência com períodos de seca.
Quando a água muda tudo
Para muitos agricultores, o acesso à água marca um ponto de virada.
Foi o caso do horticultor Elípio Braga de Moura, do município de Trairi, no Ceará. No início da atividade, ele enfrentava o obstáculo mais comum no semiárido: a escassez de água.
A solução começou a surgir quando ele conseguiu financiamento para construir um cacimbão, estrutura que permite captar e armazenar água subterrânea.
A partir dali, a propriedade começou a se transformar. Vieram o preparo do solo, a instalação de um sistema de irrigação e a compra de insumos agrícolas.
A produção, antes irregular, ganhou escala e previsibilidade.
Com o aumento da renda, a família ampliou os projetos. Um deles surgiu por meio do Pronaf Jovem, que possibilitou a criação de galinhas e, principalmente, a participação da filha nas atividades do campo.
Hoje, a propriedade não é apenas fonte de sustento. Tornou-se também um espaço de aprendizado e continuidade familiar na atividade rural.
