O pangolim, considerado o mamífero mais traficado do planeta, enfrenta risco real de desaparecer da natureza. As oito espécies existentes — quatro na África e quatro na Ásia — estão classificadas em algum nível de ameaça na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
De acordo com a entidade, as espécies variam entre as categorias Vulnerável, Em Perigo e Em Perigo Crítico. Nenhuma está fora da zona de risco.
O comércio internacional desses animais é proibido pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES). Ainda assim, o tráfico ilegal continua operando em larga escala, principalmente entre países da África e da Ásia.
Demanda por carne e escamas impulsiona crime ambiental
O pangolim é alvo do mercado clandestino por dois motivos principais: a carne, considerada iguaria em alguns países asiáticos, e as escamas, usadas na medicina tradicional, embora não haja comprovação científica de eficácia terapêutica.
Organizações internacionais de conservação estimam que mais de um milhão de pangolins tenham sido capturados ilegalmente nas últimas décadas. Apreensões recentes revelam toneladas de escamas sendo transportadas em contêineres marítimos, evidenciando a atuação de redes criminosas transnacionais.
O animal possui comportamento defensivo peculiar: quando ameaçado, enrola-se formando uma bola protegida por escamas de queratina — a mesma substância presente nas unhas humanas. A estratégia funciona contra predadores naturais, mas facilita a captura por traficantes.
