Especialistas explicam como o estresse logo nas primeiras horas do dia impacta a saúde cardiovascular.
Você acorda. Ainda deitado, pega o celular. Lê mensagens, checa e-mails, vê notícias. Parece inofensivo. Mas esse movimento quase automático pode estar ativando, logo cedo, um mecanismo de estresse que pressiona o coração mais do que deveria.
Cardiologistas têm feito um alerta direto: começar o dia em estado de tensão pode elevar rapidamente a pressão arterial e acelerar os batimentos cardíacos. Quando isso se repete diariamente, o impacto deixa de ser pontual e passa a ser acumulativo — e silencioso.
Manhã é período crítico para o coração
O organismo já acorda naturalmente mais ativado. Existe um pico fisiológico de pressão arterial nas primeiras horas do dia. É também nesse período que ocorrem mais eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Quando a pessoa desperta e imediatamente entra em contato com estímulos estressantes — cobranças de trabalho, notícias negativas, conflitos em mensagens — o sistema nervoso simpático (responsável pela reação de “luta ou fuga”, conhecida em inglês como fight or flight) é ativado de forma intensa.
O corpo entende que há uma ameaça. Libera adrenalina e cortisol, o chamado “hormônio do estresse”. O coração acelera. A pressão sobe.
Se isso vira rotina, o desgaste também vira.
Estresse crônico: risco real para doenças cardiovasculares
A American Heart Association (Associação Americana do Coração) reconhece que o estresse crônico está associado ao aumento do risco de hipertensão, inflamação dos vasos sanguíneos, arritmias e eventos como infarto.
Segundo a entidade, a exposição prolongada ao cortisol pode provocar alterações metabólicas, favorecer o acúmulo de gordura abdominal e contribuir para o endurecimento das artérias.
A World Health Organization (Organização Mundial da Saúde – OMS) também destaca que o controle do estresse é parte fundamental da prevenção das doenças cardiovasculares, hoje a principal causa de morte no mundo.
Além disso, o Centers for Disease Control and Prevention (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos – CDC) aponta que o estresse prolongado pode agravar fatores como diabetes, obesidade e pressão alta — condições que ampliam o risco de problemas cardíacos.
Ou seja: não é apenas uma sensação de cansaço mental. É um processo fisiológico mensurável.
O impacto do celular ao acordar
Especialistas explicam que o problema não é o aparelho em si, mas o tipo de estímulo que ele entrega logo ao despertar.
Notificações constantes, informações negativas e cobranças ativam rapidamente o sistema de alerta do corpo. Em vez de uma transição gradual do sono para a vigília, há um salto brusco para um estado de tensão.
Esse padrão diário pode manter o organismo em estado de hipervigilância. E o coração trabalha sob pressão.
Muitas vezes, os sinais são discretos: irritabilidade, dificuldade para dormir, cansaço persistente, sensação de sobrecarga. Mas internamente, os níveis de hormônios do estresse seguem elevados.
Pequenas mudanças, grande diferença
Cardiologistas recomendam medidas simples:
– Evitar checar o celular nos primeiros minutos após acordar
– Respirar profundamente antes de iniciar as atividades
– Alongar o corpo ainda pela manhã
– Manter rotina de atividade física regular
– Priorizar sono de qualidade
São ajustes aparentemente pequenos. Mas ajudam a modular a resposta do organismo ao estresse.
O coração não precisa começar o dia em corrida.
Diante de números crescentes de doenças cardiovasculares no Brasil e no mundo, o alerta é claro: cuidar da saúde do coração passa também pela forma como começamos a manhã.
Talvez a mudança não esteja em fazer mais.
Mas em desacelerar, pelo menos nos primeiros minutos do dia.
