Os municípios capixabas impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), vão receber R$ 131 milhões para ações na área da saúde. O recurso faz parte das medidas de reparação pelo maior desastre ambiental da história do país, ocorrido em novembro de 2015.
A verba será destinada às cidades do Espírito Santo atingidas pela lama que desceu o Rio Doce até o litoral capixaba. O dinheiro deverá financiar serviços, estrutura e atendimento à população afetada pelos impactos ambientais e sociais da tragédia.
O que está em jogo
O rompimento da barragem, pertencente à mineradora Samarco — controlada pela Vale e pela BHP — despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente. Dezenove pessoas morreram. Comunidades inteiras foram devastadas em Minas Gerais. No Espírito Santo, a lama percorreu o Rio Doce até desaguar no mar de Linhares.
Desde então, os efeitos na saúde pública se acumulam. Moradores relatam problemas dermatológicos, respiratórios e transtornos psicológicos. Pesquisas conduzidas por universidades e instituições independentes apontam aumento de doenças crônicas e sofrimento mental nas áreas atingidas.
É nesse contexto que entram os R$ 131 milhões. O valor será aplicado em ações estruturantes e também no custeio de serviços de saúde nas cidades impactadas.
Para onde vai o dinheiro
Os recursos serão distribuídos entre municípios capixabas atingidos pela lama, incluindo Colatina, Baixo Guandu, Marilândia e Linhares. Essas cidades enfrentaram interrupção no abastecimento de água, prejuízos econômicos e impactos diretos na qualidade de vida da população.
A aplicação do recurso deve contemplar reforço na atenção básica, ampliação de equipes de saúde da família, atendimento especializado e vigilância em saúde. Parte do valor poderá ser usada para monitoramento epidemiológico e ações de saúde mental — uma das áreas mais pressionadas desde 2015.
Uma tragédia que não terminou
Mais de dez anos depois do rompimento, o desastre ainda repercute nos tribunais e nas negociações de reparação. A Fundação Renova, criada para executar medidas compensatórias, é alvo de críticas constantes por parte de atingidos e do Ministério Público, que questionam a lentidão e a abrangência das ações.
Em paralelo, seguem processos judiciais no Brasil e no exterior. A responsabilização das empresas envolvidas ainda enfrenta disputas jurídicas complexas.
No Espírito Santo, pescadores, agricultores e comerciantes continuam relatando perdas. A pesca no litoral norte foi afetada por anos. Comunidades ribeirinhas tiveram sua rotina alterada. E a desconfiança sobre a qualidade da água permanece como uma sombra constante.
Saúde como prioridade
O repasse dos R$ 131 milhões representa um reforço importante para o sistema público de saúde nas cidades atingidas. Mas não resolve, por si só, todas as consequências do desastre.
A tragédia de Mariana deixou marcas ambientais, econômicas e humanas profundas. O Rio Doce ainda é monitorado. A população segue cobrando respostas.
