Ao encerrar 2025, a produção industrial brasileira apresentou crescimento modesto, mas disseminado em boa parte das regiões do país, enquanto o setor de construção civil sinaliza continuidade de atividade e impacto nos custos de obras. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) permitem traçar um quadro econômico que reflete tanto a resiliência quanto os desafios de dois pilares fundamentais da economia nacional.
Indústria: crescimento em mais da metade dos locais pesquisados
No conjunto das 18 regiões analisadas pelo Painel Regional da Indústria, o fechamento de 2025 registrou expansão de 0,6% no total da produção industrial em comparação com 2024. Em dez desses 18 locais houve crescimento — um sinal de que, apesar da moderação, a indústria em diversas partes do país ainda se mantém em terreno positivo.
O Espírito Santo foi destaque nacional, com um dos maiores avanços percentuais entre os locais pesquisados, impulsionado principalmente por atividades extrativas, como petróleo e gás. O Rio de Janeiro também mostrou expansão significativa. Por outro lado, alguns estados apresentaram retrações no ano, com quedas relevantes em unidades da federação como Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte.
Apesar da melhora no acumulado anual, o desempenho industrial mais recente — avaliado mês a mês com ajuste sazonal — mostra desafios persistentes para a economia: a produção em dezembro de 2025 foi menor do que em novembro, com a maioria dos locais pesquisados apontando recuo na margem.
Construção Civil: custos e índices em movimento
Paralelamente, o Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI), elaborado pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal, registrou variações mensais que indicam movimento contínuo de preços e custos no setor. O SINAPI é uma referência para o cálculo do custo da construção por metro quadrado e é amplamente consultado por empresas, incorporadoras e governos.
Segundo os dados públicos do IBGE, o setor tem apresentado variações mensais positivas em muitos meses, refletindo ajustes nos preços de materiais e na mão de obra. Isso afeta diretamente o custo final de imóveis e obras de infraestrutura e habitação.
Embora os números variem ao longo dos meses e estados, o quadro geral em 2025 mostra que o setor continua ativo, mesmo diante de pressões inflacionárias sobre custos. Esses aumentos impactam tanto construtoras quanto consumidores finais, especialmente em projetos residenciais.
Contexto econômico mais amplo
Os dois indicadores — indústria e construção civil — são partes essenciais do desempenho econômico brasileiro. A indústria inclui setores que vão desde bens duráveis até commodities, enquanto a construção civil representa uma parte relevante da formação bruta de capital fixo e da geração de empregos, especialmente em grandes centros urbanos. A lentidão ou aceleração desses setores costuma ter reflexos diretos no emprego, consumo e nas expectativas de investidores.
Assim, os dados divulgados pelo IBGE até o fim de 2025 mostram que a economia brasileira ainda caminha em terreno incerto, com alguns segmentos mostrando avanço e outros enfrentando dificuldades para manter o ritmo. A indústria ampliou seu desempenho em boa parte das regiões, mas não de forma uniforme, e a construção civil segue respondendo às dinâmicas de custo e oferta de mercado.
