IPCA de janeiro mostra inflação em aceleração moderada e pressões de combustíveis marcam o início de 2026

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no Brasil, apontou aumento de 0,33% em janeiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (10). Esse resultado, impulsionado em parte pela alta dos combustíveis e de itens de transporte, indica uma aceleração em relação a meses anteriores e abre o ano com uma inflação mais firme do que a registrada no fim de 2025 (dados preliminares apontaram expectativa de cerca de 0,32%).

A variação verificada em janeiro coincide com projeções de mercado que indicavam aceleração dos preços no início do ano, fruto tanto de pressões sazonais quanto de fatores externos e ajustes tributários que pesaram sobre o bolso do consumidor.

Como os combustíveis influenciaram o índice

Os combustíveis, especialmente a gasolina, foram um dos destaques nos dados do IBGE. O preço da gasolina tem sido fortemente influenciado por mudanças nos tributos estaduais — como o ICMS que, em várias unidades da Federação, foi reajustado no começo de 2026 — e por ajustes logísticos que repercutem na cadeia de custos. Essas variações têm pressionado o índice de preços de transporte, um dos componentes do IPCA que mais pesam no resultado final.

Dentro do grupo de transportes, combustíveis e preços de serviços relacionados contribuíram de forma expressiva para o avanço do índice no mês, acompanhando tendências já observadas em levantamentos preliminares e projeções econômicas para o início deste ano.

Reflexos para famílias e contas do dia a dia

Para as famílias brasileiras, uma inflação de 0,33% em um único mês representa uma pressão percebida nos gastos cotidianos. Itens básicos — como transporte, alimentação fora do domicílio e serviços — tendem a refletir esse movimento de alta no curto prazo, afetando diretamente o orçamento. Mesmo que não seja uma alta fora da normalidade em termos históricos, ela sinaliza que ainda há forças econômicas elevando o custo de vida.

Economistas acompanham de perto não apenas os números pontuais, mas o impacto acumulado ao longo dos próximos meses, sobretudo se houver persistência nas pressões de combustíveis e outros bens industriais.

Contexto de política monetária e expectativas para 2026

O desempenho do IPCA em janeiro ocorre em um momento de redução gradual das expectativas de inflação para o ano. Pesquisas recentes indicam que o mercado financeiro reduziu a projeção do IPCA para 2026 para cerca de 3,97%, dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central (3%, mais ou menos 1,5 ponto percentual).

Esse cenário de inflação sob controle, mesmo com pressões pontuais em determinados itens, alimenta o debate entre analistas e autoridades sobre a possibilidade de cortes na taxa básica de juros (Selic) ainda no começo de 2026. A manutenção de índices dentro da meta pode permitir que o Banco Central repense sua postura de juros elevados, desde que não surjam choques inflacionários inesperados.

Tendências e próximos passos

Embora a alta de 0,33% em janeiro não seja alarmante por si só, ela traz sinais de que o ritmo de preços pode seguir mais firme nos próximos meses, especialmente se fatores como combustíveis e serviços continuarem pressionando. O resultado também reforça a necessidade de observar variações regionais e setoriais — que podem divergir consideravelmente dentro do país.

O comportamento da inflação nos próximos meses será determinante para as decisões de política econômica, especialmente em relação à Selic e ao acompanhamento das expectativas de mercado. A inflação, até aqui, se mantém dentro das metas oficiais, mas movimentos como o de janeiro sugerem que fatores pontuais ainda podem influenciar a trajetória dos preços.