Vitória (ES) registrou queda no número de casos de gravidez na adolescência nos últimos cinco anos. Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que os registros entre meninas de 10 a 19 anos passaram de 359 em 2021 para 267 em 2025, uma redução de 25,6%. A tendência acompanha o movimento observado em nível nacional e internacional, embora os indicadores ainda sejam considerados elevados.
A diminuição reflete mudanças no acesso a informações, serviços de saúde e métodos contraceptivos. Ainda assim, o problema permanece relevante. A gravidez precoce segue associada a impactos diretos na permanência escolar, na renda futura e nas condições de saúde de mães e bebês.
No Brasil, a taxa de gravidez na adolescência continua acima da média global. Estimativas nacionais indicam que cerca de uma em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos engravida a cada ano. Em 2020, o país registrou mais de 380 mil nascimentos de mães adolescentes, o equivalente a aproximadamente 14% de todos os nascidos vivos naquele ano.
Especialistas apontam que a gravidez precoce está fortemente relacionada a contextos de vulnerabilidade social, desigualdade de renda e dificuldades de acesso à educação e à saúde. Esses fatores contribuem para a manutenção de ciclos de pobreza e exclusão social, sobretudo entre meninas de regiões periféricas.
A Organização Mundial da Saúde classifica a gravidez na adolescência como um problema de saúde pública. Estima-se que mais de 21 milhões de meninas entre 15 e 19 anos engravidem todos os anos em países de baixa e média renda, sendo cerca de metade dessas gestações não planejadas. Do ponto de vista clínico, adolescentes apresentam maior risco de complicações como anemia, pré-eclâmpsia, parto prematuro e baixo peso ao nascer.
No cenário global, as taxas de gravidez na adolescência vêm caindo desde o início dos anos 2000. O índice mundial passou de cerca de 64 nascimentos por mil adolescentes para pouco mais de 41 por mil em 2023. A redução, no entanto, ocorre de forma desigual. A África Subsaariana concentra as taxas mais altas, próximas de 98 nascimentos por mil adolescentes. A América Latina e o Caribe aparecem na sequência, com cerca de 51 por mil. Em países europeus e da América do Norte, os índices são significativamente menores, em alguns casos abaixo de 10 por mil.
Diferenças no acesso à educação sexual, à renda, a serviços de saúde e à proteção social explicam parte dessas disparidades. Violência sexual e relações desiguais de poder também são apontadas como fatores relevantes, especialmente entre adolescentes mais jovens.
Em Vitória, a redução dos casos está associada à atuação conjunta das áreas de saúde e educação, com ações de orientação em escolas, atendimento direcionado a adolescentes nas unidades básicas e ampliação do acesso a métodos contraceptivos. Programas municipais voltados à saúde sexual e reprodutiva fazem parte dessa estratégia.
Apesar do avanço, gestores e especialistas avaliam que a queda não encerra o problema. A manutenção dos resultados depende da continuidade das políticas públicas e da ampliação de ações voltadas à educação sexual, à redução das desigualdades sociais e à garantia de direitos reprodutivos.
