Três Poderes assinam pacto nacional para combater o feminicídio no Brasil

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O Governo Federal, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário firmaram nesta quarta-feira (4) o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, um acordo formal para integrar ações de prevenção, proteção e responsabilização em casos de violência letal contra mulheres e meninas no país. A cerimônia ocorreu no Salão Nobre do Palácio do Planalto, com a presença dos chefes dos três Poderes e autoridades.

O pacto reconhece que a violência contra mulheres no Brasil configura uma crise estrutural e que ações isoladas, conduzidas de forma fragmentada, não têm sido suficientes para reduzir os índices de feminicídio.

O que prevê o pacto

O acordo estabelece um compromisso permanente de atuação coordenada entre Executivo, Legislativo e Judiciário, com foco em quatro frentes principais:

  • prevenção da violência, por meio de campanhas e ações educativas;
  • proteção das vítimas, com ampliação e agilização das medidas protetivas;
  • responsabilização dos agressores, com maior celeridade nos processos;
  • coordenação institucional, com integração e compartilhamento de informações entre órgãos.

O pacto também prevê a criação de um Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República, com participação de representantes dos três Poderes, Ministérios Públicos, Defensorias Públicas e órgãos de controle. O objetivo é acompanhar a execução das medidas e garantir transparência.

Números que motivam a iniciativa

Os dados oficiais evidenciam a dimensão do problema. Em 2025, a Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, somando 15.453 processos ao longo do ano. No mesmo período, foram concedidas mais de 620 mil medidas protetivas, o equivalente a cerca de 70 por hora.

A central de atendimento Ligue 180 registrou, no mesmo ano, uma média diária de 425 denúncias de violência contra mulheres, envolvendo agressões físicas, psicológicas, ameaças e perseguições.

Mudanças operacionais previstas

Segundo o texto do pacto, as ações devem resultar em mudanças práticas no atendimento às vítimas, como:

  • redução do tempo entre a denúncia e a concessão de medidas protetivas;
  • integração entre polícia, Justiça e assistência social desde o primeiro atendimento;
  • campanhas contínuas de prevenção e capacitação de agentes públicos;
  • enfrentamento à violência digital, incluindo ameaças e perseguições online.

O pacto também prevê atenção ampliada a grupos em situação de maior vulnerabilidade, como mulheres negras, indígenas, quilombolas, idosas, jovens, pessoas com deficiência e moradoras de áreas remotas.

Governança e monitoramento

O Comitê Interinstitucional terá papel central na governança do pacto. A estrutura prevê reuniões periódicas, definição de metas e indicadores, além da divulgação de relatórios públicos para acompanhamento dos resultados.

O acordo não substitui políticas estaduais ou municipais já existentes, mas estabelece um marco nacional mínimo de atuação integrada entre as instituições.

Adesão dos estados

Apesar da assinatura pelos Três Poderes, o pacto ainda não conta com a adesão formal de oito estados, que alegam possuir planos próprios ou optaram por não integrar a iniciativa neste momento.

Próximos passos

A efetividade do pacto será medida pela implementação das ações nas redes de atendimento, segurança pública e Justiça. A expectativa é que a atuação integrada reduza falhas institucionais, acelere respostas a situações de risco e evite que denúncias deixem de resultar em proteção concreta.

O acordo também inclui uma campanha nacional de conscientização e a criação de um portal público com informações, orientações e canais de denúncia relacionados à violência de gênero.