Demanda por CNH explode 360% após mudança que acabou com obrigatoriedade de autoescola

A reformulação no processo de habilitação, que entrou em vigor em dezembro de 2025, provocou uma corrida sem precedentes à primeira carteira de motorista. Os dados da Secretaria Nacional de Trânsito revelam que janeiro de 2026 registrou 1,7 milhão de novos pedidos, contra 369,2 mil no mesmo período de 2025. Desde que o programa começou, foram 3 milhões de solicitações e 298,5 mil documentos emitidos.

A razão para esse interesse repentino? O bolso. O candidato pode economizar até 80% do valor total ao optar pelo curso teórico gratuito do governo e reduzir as aulas práticas obrigatórias para apenas duas horas. Em Minas Gerais, por exemplo, o custo caiu de cerca de R$ 2.255 para aproximadamente R$ 660, segundo estimativas do mercado.

As novas regras autorizaram a criação da figura do instrutor autônomo, profissional que pode dar aulas sem vínculo com autoescola. A Senatran informou que 24.754 cursos práticos já foram realizados por esses instrutores desde dezembro. A pasta também registrou crescimento de 22% nos cursos práticos em geral e 11% nos exames práticos na comparação entre janeiro de 2025 e 2026.

Mas existe um lado B nessa história. Especialistas do setor apontam o risco da economia ilusória: candidatos mal preparados podem reprovar diversas vezes e acabar gastando mais com taxas de retentativa. Além disso, a redução drástica de aulas práticas levanta questões sobre a qualidade da formação de novos condutores que vão circular pelas estradas brasileiras.

As autoescolas tradicionais não desapareceram do mapa. Precisam se reinventar e demonstrar que oferecem valor além do “treinar para a prova”. A aposta agora é em cursos especializados e acompanhamento pedagógico estruturado para quem não se sente seguro estudando sozinho. O governo estima que cerca de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação, e a expectativa é que as mudanças acelerem a regularização desse contingente.