Mercado reduz projeção da inflação para 3,99% em 2026, aponta Focus

Expectativa do IPCA cai pela quarta semana seguida e entra no intervalo de tolerância da meta oficial.

O mercado financeiro reduziu a projeção para a inflação brasileira em 2026 e passou a estimar que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano em 3,99%. A informação consta do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (2) pelo Banco Central, com base na mediana das expectativas de economistas e analistas do sistema financeiro.

A nova estimativa representa a quarta revisão consecutiva para baixo e marca, pela primeira vez neste ciclo, a entrada da projeção abaixo de 4%. O número também fica dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que admite variação de até 4,5%.

A leitura do mercado indica uma percepção de menor pressão inflacionária ao longo de 2026, em um cenário de política monetária ainda restritiva, consumo mais contido e sinais de desaceleração gradual da atividade econômica.

Ajuste fino, mas com peso simbólico

Embora a redução de um centésimo pareça pequena, analistas avaliam que o movimento tem peso simbólico. A mudança reforça a tendência de acomodação das expectativas e ajuda a ancorar projeções futuras, especialmente em relação à condução da política de juros pelo Banco Central.

Nas semanas anteriores, a estimativa para o IPCA de 2026 vinha orbitando ligeiramente acima de 4%, o que mantinha o mercado em estado de atenção. A quebra dessa barreira psicológica sinaliza maior confiança na trajetória dos preços no médio prazo.

Juros ainda elevados, com expectativa de queda gradual

Apesar da melhora no cenário inflacionário, a expectativa para a taxa básica de juros permanece conservadora. Segundo o Focus, a projeção é de que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano, indicando cortes graduais ao longo do período, condicionados ao comportamento da inflação e das contas públicas.

Atualmente, a taxa está em 15% ao ano, no maior patamar desde 2006, refletindo o esforço do Banco Central para conter pressões inflacionárias e reancorar expectativas.

Crescimento econômico segue moderado

No campo da atividade econômica, o mercado manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,8% para 2026. O número indica expansão moderada, compatível com um ambiente de juros ainda altos e crédito mais restrito.

Esse cenário sugere uma economia em ajuste fino: inflação em desaceleração, mas crescimento contido, o que exige cautela tanto de empresários quanto de consumidores.

Reflexos no bolso

Para a população, a combinação de inflação mais baixa e expectativa de queda gradual dos juros tende a aliviar, aos poucos, o custo de vida e o crédito. No entanto, os efeitos práticos costumam ser lentos e dependem da consolidação desse cenário ao longo dos próximos trimestres.

Em resumo, o mercado começa a enxergar 2026 com menos tensão inflacionária, mas ainda distante de um ambiente plenamente favorável ao crescimento acelerado.

O que é o Boletim Focus?

O Boletim Focus é um relatório divulgado semanalmente pelo Banco Central que reúne as expectativas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira.

O documento é elaborado a partir de projeções enviadas por bancos, corretoras, gestoras e consultorias econômicas, funcionando como um termômetro das apostas do mercado para inflação, juros, crescimento do PIB, câmbio e contas públicas.

As projeções do Focus não são previsões oficiais do Banco Central, mas servem como referência importante para decisões de política monetária, análises econômicas e planejamento de empresas e investidores.

O relatório é publicado toda segunda-feira, com base nos dados consolidados até a sexta-feira anterior.