Volta às aulas 2026: maioria das famílias brasileiras aposta no reaproveitamento do material escolar

Com a chegada do ano letivo de 2026, um comportamento tem se repetido de norte a sul do país — e não é por acaso. O custo da volta às aulas segue pressionando o orçamento das famílias, e a saída encontrada por grande parte dos pais e responsáveis é simples, direta e bastante pragmática: reaproveitar o que ainda dá conta do recado.

Levantamento divulgado pela Agência Brasil, com base em pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro, mostra que oito em cada dez famílias pretendem reutilizar materiais escolares usados no ano anterior. Mochilas, estojos, cadernos com folhas sobrando e até uniformes entram na lista. Não é descuido. É planejamento.

O estudo revela que 89% dos entrevistados apontam o material escolar como o principal gasto do período, seguido por uniforme (73%) e livros didáticos (69%). Na prática, isso significa que a volta às aulas continua sendo um dos momentos mais pesados do calendário financeiro doméstico. E, para muita gente, pesado demais.

O impacto no orçamento é quase unânime. Segundo a pesquisa, 88% das famílias dizem sentir efeitos diretos nas contas mensais, especialmente entre os lares de menor renda. Nas classes D e E, mais da metade afirma que o impacto é “muito grande”. Já entre as classes A e B, um terço também reconhece o peso das despesas.

E não é só sensação. Dados de Procons estaduais indicam aumentos relevantes nos preços de itens básicos. Em algumas capitais, a variação entre lojas chega a ultrapassar 200% para produtos semelhantes. Resultado: quando o preço aperta, o consumidor reage. Dois em cada três entrevistados afirmam trocar marcas tradicionais por opções mais baratas. Outros simplesmente deixam de comprar o que não é essencial.

Para especialistas em consumo, o movimento reflete uma mudança de postura. As famílias estão mais cautelosas, pesquisam mais, comparam preços e evitam compras por impulso. O reaproveitamento, nesse contexto, deixa de ser exceção e passa a ser regra. É quase como fazer uma faxina no armário antes de ir ao shopping. Você olha, avalia, decide o que ainda serve — e só depois pensa em gastar.

Há também um efeito colateral positivo. Economistas e educadores financeiros apontam que esse tipo de escolha ajuda a ensinar crianças e adolescentes sobre consumo consciente, planejamento e responsabilidade com o dinheiro. Não se trata apenas de cortar gastos, mas de entender limites. Algo que, convenhamos, anda em falta em muitos boletos por aí.

No comércio, o cenário é de cautela. As lojas seguem apostando em promoções e kits mais enxutos para atrair um consumidor que chega mais desconfiado, faz conta na calculadora do celular e pergunta duas vezes antes de passar o cartão.

No fim das contas, a volta às aulas de 2026 escancara uma realidade conhecida das famílias brasileiras: estudar continua sendo prioridade, mas gastar sem pensar deixou de ser opção. Entre preços altos e renda apertada, reaproveitar virou estratégia de sobrevivência — e, cada vez mais, de bom senso.