Sabe aquele som que parece vir do chão e sobe pelo corpo todo? É o tambor do Congo. Em Nova Almeida, na Serra, esse barulho não é apenas música; é o aviso de que a cidade parou para honrar suas raízes. A partir deste domingo, dia 18, o balneário mergulha em uma das celebrações mais bonitas e autênticas do Espírito Santo: a festa em homenagem a São Sebastião e São Benedito.
Não se engane achando que é “apenas mais um evento” no calendário. Para quem vive ali, a festa é o fio invisível que costura os séculos, unindo a devoção religiosa à resistência cultural que corre nas veias do povo serrano há mais de 170 anos.
O ritual começa cedo. A famosa “Cortada do Mastro” é o primeiro grande ato dessa peça teatral ao ar livre. É um momento de esforço coletivo, onde o mastro é buscado na mata, num trajeto que mistura cansaço e alegria. Mas o ponto alto, aquele que faz o coração bater mais forte, é a Fincada do Mastro. Ver o tronco subir, erguido pela força das mãos e ao som das batidas compassadas, é de arrepiar. Você já percebeu como o silêncio da multidão, seguido pelo estouro dos fogos, traz uma paz estranha e boa? Pois é exatamente assim.
E tem o Congo, claro. Sem as bandas de Congo, Nova Almeida seria apenas uma paisagem bonita. Com elas, o lugar ganha alma. As vestes coloridas, as casacas e o ritmo marcado contam a história de um povo que nunca deixou de cantar, mesmo nos tempos mais difíceis. É o tipo de cultura que não se aprende nos livros, mas se sente no pé no chão e no suor do rosto.
A programação religiosa também não fica atrás. Missas e procissões tomam conta da Igreja e Residência dos Reis Magos, um patrimônio que, por si só, já guarda o peso da história brasileira. É o momento em que o sagrado e o profano apertam as mãos e seguem juntos pelas ruas de pedra.
Se você está por perto, vale a pena o desvio. Não vá esperando um espetáculo de luzes artificiais ou grandes produções tecnológicas. A beleza aqui é bruta, é humana. É gente celebrando o que é seu. E, convenhamos, num mundo cada vez mais digital e frio, ver uma tradição dessas resistir com tanta força é um alento.
A festa de Nova Almeida é, no fim das contas, um lembrete de que a gente precisa saber de onde veio para entender para onde está indo. O mastro sobe, o tambor bate e a vida segue, renovada por mais um ano de fé e cultura.
A festa integra o calendário oficial do município da Serra e é reconhecida como Patrimônio Histórico e Imaterial da Serra desde 2021. Os festejos seguem até terça-feira (20).
