Vendas de motos em 2025 batem recorde histórico e superam automóveis no Brasil

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As ruas brasileiras nunca viram tantas motos. Mais de 2 milhões de duas rodas emplacadas em um único ano — um número que não acontecia há duas décadas. E olha, tem coisa acontecendo no asfalto que muda tudo que a gente conhecia sobre mobilidade. Porque agora a moto não é só transporte, virou ganha-pão pra milhões de brasileiros. Prepare-se: o Brasil virou país de motocicleta.

O Brasil fechou 2025 com 2.197.851 motocicletas vendidas, quebrando o recorde estabelecido em 2011. Os dados da Abraciclo mostram crescimento de 17,1% em relação a 2024, quando foram comercializadas 1.876.427 unidades. Pela primeira vez na história recente, as motos venderam mais que os carros no país — os automóveis chegaram a 1.996.531 emplacamentos, ficando para trás.

Esse boom tem explicação: o trabalho virou diferente. Motoboys, entregadores de aplicativo, profissionais autônomos — todos dependem das duas rodas pra sobreviver. A mobilidade urbana caótica empurrou muita gente pra moto, que corta caminho onde carro fica parado. Sem falar no bolso: com juros altos e financiamento difícil, a motocicleta virou alternativa viável. Os consórcios responderam por 30% das vendas, justamente porque o crédito tradicional travou.

A produção também disparou. As fábricas de Manaus produziram 1.980.538 unidades em 2025, alta de 13,3% sobre o ano anterior. Manaus é o maior polo de produção de motos fora da Ásia, e os números mostram isso na prática. A Honda domina sozinha 66,8% do mercado brasileiro — a CG 160 vendeu 478 mil unidades, três vezes mais que o carro líder de vendas. Yamaha ficou em segundo lugar com 14,1%, seguida pela Shineray com 5,9%.

As projeções para 2026 seguem otimistas. A Abraciclo estima 2,3 milhões de motos vendidas, crescimento de 4,6%. A produção deve chegar a 2,07 milhões de unidades, e as exportações tendem a alcançar 45 mil motocicletas. Não é ciclo passageiro — é mudança estrutural no jeito como o brasileiro se move, trabalha e ganha a vida.