O Brasil encerrou 2025 com a maior safra de grãos de sua história. Segundo dados consolidados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção alcançou 346,1 milhões de toneladas, resultado que marca uma recuperação expressiva após as perdas registradas em 2024 e consolida um novo patamar para a agricultura nacional.
A comparação com os anos anteriores ajuda a dimensionar o feito. Em 2023, o país havia colhido cerca de 316,4 milhões de toneladas. No ano seguinte, a produção caiu para 292,9 milhões, pressionada principalmente por adversidades climáticas. Em 2025, no entanto, o campo reagiu. O crescimento foi de 18,2%, impulsionado por clima mais favorável, ganhos de produtividade e expansão de áreas plantadas em regiões estratégicas.
O desempenho histórico teve como pilares a soja e o milho. A soja fechou 2025 com 166,1 milhões de toneladas, maior volume já registrado no país. O milho também bateu recorde, somando 141,7 milhões de toneladas, resultado da combinação entre uma primeira safra consistente e uma segunda safra robusta. Outras culturas, como algodão, arroz e trigo, também apresentaram crescimento e contribuíram para o resultado final.
Para 2026, o IBGE já trabalha com uma estimativa inicial de 339,8 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1,8% em relação ao recorde de 2025. Mesmo assim, o volume projetado permanece elevado e confirma que a agricultura brasileira entrou em um novo ciclo, mais alto do que a média observada na última década. O recuo é visto como um ajuste natural após um ano excepcional, e não como sinal de enfraquecimento do setor.
Safras desse porte têm impacto direto sobre a economia. O volume colhido influencia preços, exportações, logística e a balança comercial, além de reforçar o peso do agronegócio no Produto Interno Bruto. Ao mesmo tempo, amplia desafios antigos, como o escoamento da produção e a necessidade de investimentos em armazenamento e infraestrutura.
No Espírito Santo, o cenário seguiu um caminho próprio ao longo de 2025. O estado não participa diretamente do recorde nacional de grãos, mas manteve uma produção agrícola marcada pela estabilidade e pela força das culturas permanentes. O café, especialmente o conilon, continuou sendo o principal destaque da safra capixaba e um dos pilares da economia estadual.
Ao longo do ano, a produção no Espírito Santo apresentou variações pontuais, influenciadas pelo clima e pelo manejo das lavouras, mas sem rupturas significativas. O bom desempenho do café ajudou a sustentar a renda no campo e deu previsibilidade ao setor, mesmo em um contexto nacional de volumes recordes. Enquanto o Brasil celebrou números históricos nos grãos, o Espírito Santo reafirmou sua vocação agrícola baseada em regularidade, produtividade e valor agregado.
