Espírito Santo lança concurso para premiar queijos artesanais e fortalecer a produção local

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Um bom queijo conta histórias. Do pasto ao prato, ele carrega técnica, paciência e identidade. É justamente esse saber fazer que o Espírito Santo decidiu colocar em evidência ao abrir as inscrições para o Prêmio Queijos do Espírito Santo, um concurso criado para valorizar a produção artesanal, reconhecer quem vive do campo e ampliar a visibilidade dos queijos capixabas.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e vai reunir produtores de diferentes regiões do Estado. A avaliação dos produtos está marcada para os dias 10 e 11 de março de 2026, com participação de jurados especializados.

As inscrições são gratuitas e ficam abertas entre 2 de fevereiro e 5 de março, por meio do portal Agrolegal-ES. Podem participar queijarias e agroindústrias devidamente registradas nos serviços de inspeção municipal, estadual ou federal.

O concurso surge em um momento estratégico para o setor. Atualmente, as queijarias representam mais de 40% das agroindústrias familiares do Espírito Santo, segundo dados do governo estadual. É um número que revela a força de uma atividade que sustenta famílias, movimenta a economia local e preserva tradições que atravessam gerações.

Esse movimento não começa agora. Nos últimos anos, queijos capixabas têm ganhado destaque em concursos nacionais, disputando espaço com produtores tradicionais de outros estados. O prêmio estadual funciona como um reforço importante. Dá visibilidade, gera confiança e ajuda a abrir portas para novos mercados.

Os produtores inscritos deverão entregar as amostras no dia 9 de março, em pontos de coleta distribuídos pelo Estado, incluindo Vitória, Cachoeiro de Itapemirim, Domingos Martins, Colatina e Nova Venécia. Os produtos serão avaliados em nove categorias, entre elas queijos frescos, maturados e o tradicional requeijão de corte, presença antiga e afetiva na mesa dos capixabas.

A avaliação leva em conta critérios técnicos como sabor, aroma, textura e identidade do produto. A proposta, segundo a Seag, é estimular a melhoria contínua da produção sem perder o vínculo com a tradição. Crescer, sim. Mas com raiz.

Para o secretário estadual da Agricultura, Enio Bergoli, o concurso amplia oportunidades e fortalece um setor que já demonstra qualidade. A análise técnica ajuda os produtores a compreender melhor seus próprios produtos e a buscar novos patamares de competitividade.

Além da premiação, o evento também se propõe a ser um espaço de troca. Produtores compartilham experiências, aprendem com erros e acertos e fortalecem redes. No campo, isso faz diferença. Muito mais do que um troféu, o concurso oferece reconhecimento e pertencimento.

No fim das contas, a iniciativa funciona como um espelho. Mostra ao próprio Espírito Santo o valor do que é produzido aqui, muitas vezes longe dos grandes centros, mas perto da essência. Porque um queijo bem feito não nasce do acaso. Ele nasce do tempo, do cuidado e de quem conhece a terra onde pisa.