Petróleo mantém liderança nas exportações brasileiras pelo segundo ano e projeta expansão até 2029

divulgação - Petrobrás

O petróleo bruto segue no topo das exportações brasileiras. Pelo segundo ano seguido, o produto garantiu a primeira posição na balança comercial, com US$ 44,6 bilhões em vendas externas em 2025. O número ficou levemente abaixo do recorde de 2024, que bateu em US$ 44,8 bilhões, mas manteve o setor à frente de gigantes como a soja e o minério de ferro.

O desempenho não chega a surpreender. O Brasil aparece como o oitavo maior produtor mundial de petróleo, e o pré-sal virou sinônimo de eficiência — emite metade do carbono em comparação com a média global. Num cenário onde a Venezuela enfrenta instabilidade e o mercado global busca fontes confiáveis, o país se consolida como alternativa estratégica. Roberto Ardenghy, do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), reforça o ponto: a indústria nacional oferece previsibilidade num mundo tenso.

As projeções do IBP para os próximos anos mostram fôlego. A expectativa é alcançar 4,2 milhões de barris diários em 2028, com investimentos que devem atingir US$ 21,3 bilhões já em 2026. O setor também sustenta 483 mil empregos previstos para este ano e pode gerar US$ 42,3 bilhões anuais em arrecadação até 2029. Em 2024, a conta fechou com mais de R$ 98 bilhões entre royalties e participações especiais.

Mas o setor não vive só do passado. O Brasil aparece como segundo maior produtor global de biocombustíveis e investe em tecnologias de captura de carbono e eólicas offshore, com capacidade estimada em 1.200 GW. A transição energética, longe de ser só discurso, ganha impulso justamente pelos recursos gerados pela indústria de óleo e gás. O que antes parecia contraditório agora se mostra complementar.

Os dados da balança comercial confirmam: petróleo em primeiro, soja em segundo com US$ 43,5 bilhões, e minério de ferro em terceiro, com US$ 26,2 bilhões. A diferença para a soja diminuiu, mas a liderança persiste. E enquanto o mercado global navega entre incertezas geopolíticas e pressões ambientais, o Brasil segue apostando num setor que une rentabilidade, segurança energética e compromisso com a descarbonização.