Morre Uliana Semjonova, a gigante que dominou o basquete mundial

O basquete mundial perdeu hoje uma de suas maiores lendas. Uliana Semjonova, a pivô letã que se tornou o maior símbolo de dominância nas quadras, morreu aos 73 anos. Se você acompanha o esporte há tempos ou apenas ouviu histórias sobre os anos dourados da União Soviética, sabe que ela não era apenas uma atleta. Ela era uma força da natureza.

Com seus 2,13 metros de altura, Semjonova transformou o garrafão em uma espécie de propriedade privada. Onde ela estava, ninguém mais chegava. E o dado mais impressionante de sua carreira parece até mentira: ela defendeu a seleção soviética por 18 anos e nunca — absolutamente nunca — perdeu uma partida oficial em competições internacionais. Você já parou para pensar no que é passar quase duas décadas sem saber o que é uma derrota?

Uliana nasceu na Letônia e logo cedo chamou a atenção pelo tamanho. Mas não se engane. Ela não estava lá apenas por ser alta. Ela tinha um tempo de bola impecável e uma força que sufocava as adversárias. Pelo seu clube, o TTT Riga, ela conquistou 15 títulos da Copa dos Campeões da Europa. Era uma dinastia em forma de mulher.

Nas Olimpíadas, o roteiro se repetia. Ela levou o ouro em Montreal (1976) e repetiu a dose em Moscou (1980). Mas o reconhecimento atravessou fronteiras e ideologias. Semjonova foi a primeira mulher não americana a entrar no Hall da Fama do Basquete, nos Estados Unidos. Um feito gigante, à altura de sua história.

É duro dizer, mas os últimos anos da lenda foram marcados por desafios físicos severos. O corpo que lhe deu glórias também cobrou um preço alto. Devido a problemas de saúde crônicos, ela chegou a sofrer a amputação de uma perna recentemente. Mesmo assim, manteve a discrição e a dignidade que sempre a acompanharam.

Uliana Semjonova foi a torre que sustentou o basquete feminino por gerações. Ela não apenas jogava; ela mudava a geografia da quadra. Hoje, o esporte fica um pouco menor sem a sua presença física, mas o recorde de sua invencibilidade continuará lá, intacto, como um monumento ao seu talento.