Esperança no mar: nascimento de novos filhotes dá fôlego à baleia-franca-do-norte

Foto de Ivan Stecko: https://www.pexels.com/pt-br

O mar entre a Flórida e a Geórgia, nos Estados Unidos, virou um berçário de luxo nas últimas semanas. Cientistas que monitoram o Atlântico Norte confirmaram o avistamento de novos filhotes de baleia-franca, uma notícia que traz um alívio imenso para quem estuda a espécie. Parece um evento comum da natureza, mas não é. Estamos falando de um dos animais mais ameaçados do planeta.

Para você ter uma ideia da gravidade, restam apenas cerca de 360 indivíduos dessa espécie no mundo. É como se a população total de um animal gigante coubesse dentro de um teatro pequeno. Por isso, cada nascimento é celebrado como uma vitória em uma guerra silenciosa contra a extinção.

O desafio de sobreviver ao primeiro ano

A conta é simples, mas cruel: para a população parar de cair, as baleias precisam parir mais do que morrem. Nos últimos anos, essa matemática não fechava. O levantamento atual mostra que a temporada de reprodução está sendo generosa. Até agora, 17 filhotes foram avistados. É um número robusto se comparado ao deserto de nascimentos de anos anteriores.

Mas nem tudo é festa. É duro dizer, mas nascer é apenas o primeiro obstáculo. Essas baleias enfrentam um oceano cada vez mais perigoso. O maior inimigo não é um predador natural, mas a atividade humana. Colisões com navios e o emaranhamento em redes de pesca de lagosta e caranguejo são as principais causas de morte.

Imagine uma baleia tentando cruzar uma rodovia movimentada no escuro. É mais ou menos assim que elas se sentem ao atravessar as rotas comerciais da costa leste americana.

A situação no Brasil

Embora a notícia venha do Hemisfério Norte, o Brasil olha para esses dados com atenção. Aqui, nós temos a baleia-franca-austral. Ela é “prima” da americana, mas vive uma realidade um pouco mais confortável, embora ainda exija cuidados.

No litoral catarinense, por exemplo, o monitoramento é constante. A diferença é que a população do sul do mundo conseguiu se recuperar melhor após a proibição da caça. Já as baleias do norte sofrem com um oceano muito mais congestionado e barulhento, o que dificulta a comunicação e a amamentação.

Por que elas importam?

Você já percebeu como tudo no oceano está conectado? As baleias-franca são como jardineiras dos mares. Elas fertilizam o oceano com seus resíduos, o que ajuda no crescimento do fitoplâncton. Esses microrganismos produzem boa parte do oxigênio que a gente respira. Salvar a baleia não é apenas uma questão de bondade; é uma questão de manutenção do sistema que nos mantém vivos.

Especialistas da NOAA (agência oceânica dos EUA) afirmam que, para a espécie se estabilizar, seriam necessários cerca de 50 nascimentos por ano. Estamos longe disso, mas os 17 bebês deste ano são um sinal de que a espécie ainda tem força para lutar.

O esforço agora é para que o governo americano endureça as regras de velocidade para embarcações. O objetivo é evitar que a alegria de ver um filhote hoje se transforme em um relatório de necrópsia amanhã. O mar deu o sinal de esperança. Agora, o resto depende da nossa capacidade de dividir o espaço com elas.