Mapa raro encontrado em Harvard pode revelar novos segredos sobre os primeiros anos do Quilombo dos Palmares

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O Mapa que “redescobriu” Palmares: uma relíquia em Harvard muda a História do Brasil.

Um documento que passou séculos esquecido em uma biblioteca da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, acaba de abrir um novo capítulo na história brasileira. Trata-se de um mapa de 1645 que revela, com precisão impressionante, a localização de assentamentos do Quilombo dos Palmares muito antes do que os registros tradicionais sugeriam.

Mais do que um papel antigo, esse mapa é um guia para o futuro: ele dará início a escavações inéditas em Alagoas, permitindo que a ciência toque, finalmente, na rotina de quem viveu em liberdade no maior refúgio de resistência das Américas.

O achado: A herança de um naturalista holandês

O mapa foi desenhado por George Marcgraf, um cientista que veio ao Brasil junto com a comitiva de Maurício de Nassau durante a ocupação holandesa. Enquanto os colonizadores se preocupavam com o açúcar e as guerras, Marcgraf registrou a geografia de forma detalhada.

O documento aponta comunidades quilombolas ativas entre os atuais municípios de Chã Preta e União dos Palmares, em Alagoas. O que torna isso especial? O mapa é de 1645, um período em que ainda temos pouquíssimos relatos sobre como Palmares se organizava territorialmente.

Palmares: Muito mais que uma aldeia isolada

A descoberta confirma o que muitos historiadores já suspeitavam: Palmares não era apenas um esconderijo no topo de uma montanha (a Serra da Barriga). Era uma confederação de povoados (mocambos) espalhados estrategicamente, com agricultura própria, defesas organizadas e uma rede de comunicação eficiente.

Era um verdadeiro “país dentro do país”, onde africanos, indígenas e até brancos pobres viviam à margem da opressão colonial.

Arqueologia: A busca pelos vestígios em 2026

A partir de janeiro de 2026, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) vão a campo. A missão é transformar as coordenadas do mapa em descobertas reais. O trabalho unirá tecnologia de ponta e escavação manual:

  • Drones e Satélites: Para mapear o terreno de cima.
  • Detectores e Georreferenciamento: Para encontrar metais e sinais de solo mexido.
  • Escavação: A busca por cerâmicas, ferramentas, restos de fogueiras e armas que ajudem a contar como era o dia a dia nesses territórios.

“Essa descoberta é um ato de reparação. Durante séculos, a história de Palmares foi contada apenas pelos documentos dos generais que os atacaram. Agora, o solo pode contar a versão de quem resistiu.”

Por que isso importa hoje?

Identificar esses locais não é apenas um exercício acadêmico; é uma forma de justiça histórica. Reconhecer o território de Palmares fortalece a identidade afro-brasileira e ajuda o Brasil a preencher os vazios deixados pelo apagamento proposital da cultura negra.

O passado ainda tem muito a nos dizer. E, graças a um mapa esquecido em uma prateleira distante, estamos prestes a ouvir novas vozes sobre o que realmente foi a liberdade no Brasil colonial.