Cinco tecnologias que devem emergir com o coronavírus

Imagem de Christian Reil por Pixabay
                                             Por Alexandre Pierro

É inegável o papel importantíssimo que a tecnologia vem desempenhando diante da crise do novo coronavírus. Mesmo à distância, estamos mais conectados do que nunca, e as possibilidades de resolução de problemas por meio de computadores, celulares e aplicativos se ampliam a cada dia.

No início deste ano, quando o Brasil ainda nem imaginava ser atingido por uma pandemia, escrevi um artigo sobre as sete tendências em inovação em 2020. Assim como eu, diversos especialistas faziam suas apostas para os próximos meses, baseando-se em padrões de desenvolvimento mundiais que começavam a ser adotados. Desde então, me pego pensando no que pode ter mudado – será que todas essas tecnologias exponenciais foram por água abaixo?

Quero acreditar que não. Se prestarmos atenção no noticiário, poderemos perceber como tudo que vem sendo desenvolvido nos últimos anos é justamente o que minimiza os danos dessa pandemia hoje. Isso em todas as áreas: da medicina ao dia a dia de startups, dos pesquisadores às estratégias de políticas públicas. Sem tecnologia, estaríamos vivendo um caos ainda maior.

Como aconteceu com a pandemia de cólera, na Inglaterra, no século 19, as empresas começaram a assumir muito mais rápido a revolução industrial – ou seja, substituir homens por máquinas a vapor -, isso deve acontecer bastante agora no mundo. Robotização das linhas de produção, cada vez com menos pessoas. A pandemia nos ensinou que as aglomerações são perigosas, portanto, o modelo de produção das fábricas vai ter de ser repensado.

Com base no cenário atual, decidi atualizar minha lista anterior e, agora, elenco cinco tecnologias que tem tudo para emergir com a crise do coronavírus.

#1. Impressão 3D – Principalmente por possibilitar a produção de equipamentos médicos, como máscaras de oxigênio e protetores faciais, essa tecnologia tem sido a principal aposta para o futuro. Muitas empresas vêm fazendo doações para starups que produzem esses materiais a um custo menor, por já terem uma impressora 3D.

#2. Big Data – A análise de dados já era uma tendência mundial. Agora, com a pandemia, muitas empresas em crise terão de reduzir seu quadro de funcionários, mas a demanda por produtos e serviços continuará a aumentar. Portanto, será necessário automatizar boa parte da operação.

#3. Cloud Computing – Tudo que puder diminuir os custos da operação deverá ser uma aposta das empresas. Com a computação em nuvem, pode-se baratear a operação de TI, cortando gastos com equipe e manutenção de servidores, por exemplo.

#4. Blockchain – O monitoramento da população, visando evitar aglomerações, é extremamente importante para combater o coronavírus. Em países ocidentais, essa vigilância esbarra no direito à privacidade. Porém, uma startup em São Paulo desenvolveu uma plataforma que utiliza blockchain para preservar a identidade dos usuários, impedindo que a outra ponta, seja o governo ou outros cidadãos, tenha acesso aos seus dados. Isso traz nova possibilidades para a utilização de blockchain no futuro, para além da finalidade de proteção econômica.

#5. Power BI – Enquanto o Big Data é fundamental para a coleta e armazenamento de dados, transformar esse material em informações e estatísticas, com agilidade e rapidez, é ainda mais importante. Esse serviço de análise de negócios, desenvolvido pela Microsoft, é capaz de ler uma quantidade imensa de dados e compilá-los em gráficos e relatórios.

O que estamos vivendo hoje com a pandemia vai deixar um grande impacto nas nossas gerações, que será ainda maior conforme o tempo de isolamento. Aprenderemos a desenvolver novos hábitos, formas de consumir e trabalhar. Para muitas empresas e colaboradores, não vai mais fazer sentido encarar trânsito e estresse a caminho do escritório – por que não adotar de vez o home office? Analisando somente este ponto, teremos estradas por todo o país utilizadas apenas para transporte de suprimentos, por exemplo. Possivelmente, após a quarentena, haverá um efeito pêndulo, em que as pessoas vão tentar resgatar tudo como era antes, mas verão que já é impossível. É como diz a letra de Chico Buarque: “Eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá…”.

Para quem estuda a evolução do mundo e da sociedade, é um momento fascinante. Estamos vendo a história ser construída diante de nossos olhos e, como seres históricos, está nas nossas mãos moldar o futuro. Acredito que o grande ensinamento é que a tecnologia está aqui para ficar e, assim como a roda nos ajudou a ir para outros lugares, a informatização e a robotização irão permitir que a gente dedique nosso tempo com o que realmente importa. É um novo mundo, novos olhares e maneiras de pensar, e precisamos estar preparados.

Por fim, é importante ressaltar que a adaptação tecnológica não é possível somente para grandes empresas, com muitos recursos. A Indústria 4.0 cita em nove tecnologias que melhoram a atividade das empresas. A PALAS, por exemplo, que é uma consultoria de pequeno porte, utiliza seis delas, e todas a um custo baixíssimo. Dois exemplos simples são a substituição do servidor pela nuvem, que barateia a operação, e o marketing digital, que ajuda no fortalecimento da marca. As empresas não devem deixar que o medo em relação ao futuro as impeça de inovar. Utilizando a tecnologia a nosso favor, temos tudo para construir um mundo ainda melhor.

Alexandre Pierro é sócio-fundador da PALAS e um dos únicos brasileiros a participar ativamente da formatação da ISO 56.002, de gestão da inovação.