Dor no nervo ciático: saiba mais sobre a doença que está tirando o sono do Papa

O papa Francisco, 80 anos, dedicou o seu período de férias, em julho, para tratar de um problema que vem incomodando cada vez mais um número maior de pessoas de variadas faixas etárias: dores no nervo ciático. O líder da Igreja Católica disse que essas dores o incomodam há vários anos. Para amenizar o problema, ele recorre a tratamentos, calçados ortopédicos, massagens e até a injeções para aliviar o desconforto na perna.

Em julho de 2013, quando voltava do Brasil, primeiro destino internacional de seu pontificado, o Papa foi perguntado sobre qual era a pior coisa que lhe tinha acontecido desde que assumira o trono de Pedro. “A pior coisa, me desculpe, que me ocorreu é o ciático, de verdade”, respondeu.

O cirurgião de coluna Lourimar Tolêdo, responsável pelo Serviço de Cirurgia da Coluna Vertebral da equipe de ortopedia do Hospital Metropolitano, explicou que o nervo ciático é considerado o maior do corpo humano. “Ele se estende desde a coluna lombar até os pés, descendo por trás da coxa e dos joelhos. O nervo ciático possibilita o movimento dos músculos das pernas, permitindo as articulações dos membros inferiores, e é o responsável pelas sensações”.

Causas

Segundo Lourimar, a dor é causada por algum tipo de inflamação ou dano ao nervo ciático, que pode ocorrer dentro do canal espinhal ou em algum outro ponto do percurso que o nervo faz. A pressão da coluna sobre as raízes que formam o nervo também provoca o problema. “Geralmente, os anéis que circundam os discos se rompem com o aumento de pressão e comprimem as raízes nervosas, intensificando as dores nas costas e membros”, observou.

As causas mais comuns para a compressão do nervo ciático e o consequente surgimento da dor são tumores, infecções, traumatismos (luxações e fraturas), anomalias congênitas, hérnia de disco, alterações degenerativas na coluna (artrose) e síndrome do músculo piriforme (um espasmo muscular que comprime o nervo ciático). O sedentarismo e a obesidade também são considerados fatores de risco.

“Os sintomas que cada pessoa apresenta podem ser bem diferentes, mas geralmente a dor ocorre com maior frequência de um só lado. Assim, podem surgir dores agudas em apenas uma parte da perna e dormência em outras partes”, afirmou o médico.

Sintomas

Ele disse que outros sintomas comuns que caracterizam a dor ciática são perda da sensibilidade ou redução dos reflexos da região atingida; formigamento ou sensação de queimação; fraqueza ou perda dos movimentos no membro inferior, aumento de dores depois de ficar em pé ou sentar, ao tossir, espirrar ou rir;  entre outros.

Nos casos mais graves, pode ocorrer ainda o comprometimento da função intestinal e da bexiga;

Lourimar afirmou que os sintomas acometem tanto homens quanto mulheres e podem aumentar com o envelhecimento: “Isso ocorre porque conforme a idade avança, as estruturas da coluna vertebral podem sofrer desgastes que acabam comprometendo a medula espinhal ou as raízes que dão origem aos nervos”.

A indicação mais comum para o tratamento da dor ciática é por meio de medicação, fisioterapia e exercícios monitorados por especialistas. A cirurgia só é indicada a pacientes que têm déficits neurológicos, recorrência de episódios de dor lombar e ciática intensas, que os impedem de levar uma vida normal. Lourimar ressalta que as técnicas cirúrgicas, cada vez menos invasivas, propiciam uma recuperação bem mais rápida e com menor índice de complicações.

Como se prevenir

– Evite realizar movimentos bruscos com a coluna vertebral, pois eles podem favorecer o pinçamento de nervos;

– Sempre flexione os joelhos quando for erguer um peso do chão;

– Dê preferência aos sapatos com saltos mais baixos;

– Procure manter uma boa postura, principalmente quando houver necessidade de permanecer sentado ou em pé durante muito tempo;

– Pratique exercícios físicos que ajudem a fortalecer a musculatura de todo o corpo.